VALE ESTÁ EM SUA MELHOR FORMA DESDE QUE FOI CRIADA, DIZ DIRETOR

Depois de uma série de mudanças internas, a Vale está hoje em sua melhor
forma desde que foi criada, disse ontem o diretor de Relações com Investidores (RI) da
mineradora, André Figueiredo, em reunião com analistas e investidores organizada pela
Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais
(Apimec). “Hoje, a Vale é mais competitiva do que os australianos, apesar da distância
entre Brasil e China”, comentou.
O executivo afirmou que a Vale entrou em 2018 em uma situação diferente,
até mesmo com uma nova administração, que hoje tem como um de seus pilares
estratégicos colocá-la como a maior geradora de valor aos acionistas em relação aos
seus concorrentes. Figueiredo lembra que o ano começa com uma projeção do mercado
de que o preço do minério de ferro deve cair, mas pondera que, nos últimos dois anos,
contudo, os valores foram mantidos na China a despeito das expectativas.
O diretor destaca que a empresa torce para que a estabilidade de preços se
mantenha, isso porque não interessa volatilidade para o negócio de uma mineradora.
Exemplificou que, no projeto S11D, o maior da história da companhia, os investimentos
começaram em 2010, quando os preços estavam em outro patamar.
De acordo com Figueiredo, a Vale não fará investimentos em projetos que
não geram retorno. Segundo ele, no passado, a Vale realizou muitos investimentos
colocando na conta uma perspectiva futura melhor para os preços das commodities do
que os vistos no momento, projeção que em níquel, por exemplo, não se confirmou.
“Queremos melhorar desempenho otimizando a alocação de capital”, disse
na reunião da Apimec. Em níquel, destacou, a companhia irá manter o negócio, mas de
forma saudável. A mineradora brasileira tem afirmado, desde o ano passado, que o
objetivo para a operação de níquel Vale Nova Caledônia (VNC), que não tem geração de
caixa positiva, é buscar um parceiro e que, se não for possível, até mesmo um
fechamento da operação não seria descartado.
A ideia para esse negócio, explicou, é “preservar a opcionalidade do negócio
de níquel”, para caso ocorra uma elevada demanda pelo produto no futuro por conta
do crescimento do mercado de carros elétricos. Se isso ocorrer, disse, a companhia
estará pronta para investir e até elevar sua produção, caso se observe que haverá
retorno. Em relação ao carvão, Figueiredo comentou que a projeção é de que esse
negócio tenha melhor resultado do que em 2017.
De acordo com Figueiredo, a projeção da companhia é de que a produção
de minério de ferro da Vale para este ano fique na casa dos 390 milhões de toneladas,
alcançando 400 milhões de toneladas a partir de 2019.
Dívida líquida da empresa deve chegar a R$ 10 bilhões em 2018
A Vale espera terminar 2018 com uma dívida líquida da ordem de US$ 10
bilhões. Ao final do terceiro trimestre do ano passado, o endividamento estava em US$
21 bilhões. O diretor André Figueiredo disse que a Vale quer ter o “menor
endividamento possível”. Outra meta da companhia para este ano, segundo o executivo,
é aumentar os dividendos aos acionistas.
“A Vale gerará substanciais fluxos de caixa ao longo dos próximos três anos”,
disse o executivo. Projeção da empresa é que, em um cenário mais conservador, com o
preço da tonelada de minério de ferro, na média, em US$ 55 e o preço da tonelada do
níquel, em US$ 10 mil, o fluxo de caixa acumulado de 2018 a 2020 deve ser de US$ 13
bilhões.
Já em um cenário mais otimista, com o minério em US$ 65 a tonelada e o
níquel em US$ 14 mil, esse valor sobe para US$ 25 bilhões. “Primeiro utilizaremos os
recursos para desalavancar e, em segundo, para remunerar os acionistas”, afirmou
Figueiredo. Ele lembrou que os investimentos da Vale seguirão baixos.
A percepção da Vale é de que não haverá uma venda desorganizada das
ações detidas após o fim do período de bloqueio, o chamado lock-up, no final do
próximo mês, disse Figueiredo. Segundo ele, os acionistas que eram da Valepar – Previ,
Mitsui, Bradesco e Bndes -, ao decidirem ceder o controle da companhia para
transformá-la em uma “corporation”, ao migrar para o Novo Mercado e converter as
ações preferenciais em ordinárias, possuem “planos maiores para a Vale do que
simplesmente a saída”.
Fonte: Jornal do Comércio
Data: 18/01/2018

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