STREAMING TRANSFORMA O CANADÁ NO CENTRO MUNDIAL DA MINERAÇÃO

O Canadá é sede de 75% das empresas de mineração do mundo, mas não por causa da
riqueza natural ou da grande área do país. A resposta, segundo especialistas do setor,
é o streaming de metais, um recurso financeiro único que torna o país um local
privilegiado para as empresas de mineração fazerem ofertas públicas, mesmo que não
pretendam operar minas no Canadá
“Ao atrair empresas de mineração, o Canadá com suas reservas, preços,
financiamento, exploração e investimento de capital, cria uma combinação que outros
países, incluindo os EUA, não tem igual. Apenas olhando para os números, o
envolvimento do Canadá na indústria de mineração é surpreendente. A Bolsa de Valores
de Toronto e a Toronto Venture Exchange [subsidiária da TSX] representaram US$ 12,5
bilhões, ou 40% da captação de capital de mineração em 2011”, diz o website
especializado Inside Resources.
A lei canadense faz com que tanto a listagem em bolsa das empresas de
mineração quanto o cumprimento de regulamentos federais sejam menos onerosos do
que em outros centros financeiros, incluindo Londres e Nova York.
Mesmo que cada um dos 13 territórios e províncias canadenses tenha sua
própria comissão de valores mobiliários, essas autoridades se coordenam para garantir
que os mercados financeiros canadenses permaneçam em harmonia. Em parte, isso
reflete a política relativamente aberta do Canadá em relação à propriedade estrangeira
de minas.
Além de oferecer acesso a acordos de livre comércio e um sistema legal
estável, outro fator que torna o país atraente para as empresas de mineração é seu
sistema financeiro. A abertura de uma nova mina incorre em altos custos iniciais que
serão compensados ao longo da vida útil da mina, que muitas vezes se estende por 30
anos ou mais. Desde 2004, a lei canadense permite o que é chamado de streaming de
metal.
“Uma transação de streaming de metal é essencialmente um acordo de
longo prazo entre um investidor e uma empresa de mineração para a compra e venda
de metal”, declaram Roger Taplin e Patrick Deutscher, dois advogados que
especializados em direito minerário e negócios para uma banca com sede em
Vancouver.
“Sob este acordo, o investidor efetua um pagamento de capital inicial, ou
uma série de pagamentos com base em marcos de desenvolvimento, para a empresa de
mineração em troca do direito de compra de uma quantidade de metal da mineradora
calculada com base na produção da mina de referência, um fluxo [streaming, em inglês]
de metal”, afirmam os advogados.
Segundo eles, o acordo é feito normalmente com metais preciosos que são,
ou serão, produzidos como um subproduto da mina, e o pagamento pelo investidor para
cada entrega de metal está em um desconto significativo ao preço de mercado.
Para os investidores, os acordos de fluxo de metal dão a oportunidade de
comprar metais a um preço mais baixo e fixo. À medida que a mina fornece metais para
o preço fixo previamente acordado, a diferença entre esse preço e o valor de mercado
dos metais é deduzida do valor do empréstimo original. Pagamentos antecipados em
negócios como este variam de 4 milhões a 1,9 bilhão de dólares canadenses.
Financiamento
“Uma transação de streaming de metal é uma rota relativamente rápida e
de baixo custo para garantir um financiamento que não dilui o capital da mineradora. É
também uma forma de monetizar o valor da produção futura de um subproduto de
metal, cujo valor não pode ser reconhecido pelo mercado no preço das ações da
empresa mineradora”, declaram Taplin e Deutscher.
O streaming torna mais fácil para as empresas canadenses aumentar o
capital necessário para começar a mineração. Em outros países, incluindo os EUA e a
Austrália, que também possuem grandes depósitos minerais, as empresas precisam
encontrar fontes de capital sem aproveitar o valor futuro da produção mineral. Isso
representa um obstáculo em especial para as pequenas empresas que têm uma só mina.
Ao contrário dos empréstimos, o streaming não é considerado dívida. Nos
últimos anos, as principais empresas de mineração têm utilizado este método de
financiamento para pagar a dívida. Em apenas dois anos, 2015 e 2016, somente Vale,
Glencore, Barrick Gold e Teck Resources, assinaram contratos de streaming de metal em
minas existentes com valor superior a US$ 500 milhões.
Antes dos acordos de streaming serem permitidos, as empresas de
mineração operavam com acordos de royalties. Os acordos de royalties proporcionam
aos investidores uma participação nos lucros futuros de uma mina, mas não envolvem
a transferência de metais em si.
“Os negócios de streaming são populares principalmente com os
subprodutos de metais preciosos das minas, que produzem um metal de base como o
cobre, uma vez que os mercados subestimam essas reservas de metais preciosos”, diz a
Moody’s em um relatório de pesquisa sobre crédito global. Eles observam que esse
arranjo funciona particularmente bem para commodities como cobre, cujos preços têm
alta volatilidade.
Fonte: Notícias de Mineração
Data: 20/12/2017

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