S11D ALCANÇA 25% DA CAPACIDADE E JÁ MELHORA DESEMPENHO DA VALE

Nove meses após sua entrada em operação comercial, o S11D Eliezer
Batista, projeto que é um marco na história da Vale, já movimentou em seus pátios de
minério mais de 12 milhões de toneladas de minério de ferro de alto teor e caminha
para alcançar em dezembro de 2017, 25% de sua capacidade nominal (de 90 milhões de
toneladas).
Até setembro de 2017, a Vale produziu no Sistema Norte 122,4 milhões de
toneladas de minério de ferro, um acréscimo de 13,9% em relação ao mesmo período
de 2016, principalmente devido ao ramp up do S11D.
A operação já está contribuindo para melhorar a recuperação global da Vale
e os preços de comercialização dos seus produtos, já que o minério 8 da Serra Sul está
sendo utilizado para blendagem com minérios de mais baixo teor e maior índice de
contaminantes no exterior. O custo caixa da empresa também está sendo reduzido e a
previsão é que, quando o S11D Eliezer Batista estiver com seu ramp up totalmente
concluído, o custo estimado de produção chegue a US$ 7,7 por tonelada de minério de
ferro produzida, certamente o mais baixo entre todos os produtores mundiais de ferro.
Atualmente, o custo de produção de minério de ferro da Vale está em US$ 15,2 por
tonelada e especificamente em Carajás está em US$ 12,9 por tonelada.
Carajás tem sido decisivo para que a Vale possa melhorar a realização de
preços. Hoje 38% das vendas de minério da empresa é proveniente de Carajás, que
também responde por 21% de blend. Com isto, a previsão é que a Vale tenha um ganho
adicional de US$ 400 a US$ 600 milhões no segundo semestre de 2017, valor que deverá
ser ainda maior em 2018.
Com o empreendimento, o investimento em manutenção também será
reduzido, caindo para US$ 1,8 por tonelada, contra uma média de US$ 2,8/t na empresa
e US$ 2,4/t em Carajás. Sem contar que o projeto deve contribuir para aumentar o
Ebitda (lucro bruto) da Vale entre quatro e seis dólares por tonelada produzida. Ou seja,
o S11D Eliezer Batista vai contribuir para a otimização de toda a cadeia de valor da
companhia.
Marcos importantes
Segundo a Vale, o S11D registrou, em sua implantação e ramp up, alguns
marcos importantes: o projeto foi entregue e comissionado antes do prazo previsto, a
produção de cada sistema truckless (sistema de lavra que não utiliza caminhões para o
transporte do minério), separadamente, está sendo melhor do que o planejado, tratase
do projeto com maior uso de automação e tecnologias inovadoras da companhia e o
treinamento na operação do sistema de correias transportadoras foi realizado através
de um programa robusto e contínuo, além de outros pontos.
A empresa informa que todos os sistemas das minas iniciaram operação
antes do cronograma previsto. Em março de 2017 entrou o sistema 3, que estava
previsto para julho deste ano, em julho entrou o sistema 4 (previsão novembro de 2017),
em agosto entrou o sistema 1 (o que deveria ocorrer em dezembro 2017) e em outubro
foi iniciada a operação do Sistema 2, originalmente previsto para janeiro de 2018. De
acordo com a Vale, o sistema truckless já atingiu 81% de sua capacidade nominal. Isto
quer dizer que das 8 mil toneladas por hora já foram alcançadas 6.500 t/h. O sistema
operou com maior produtividade, produzindo mais minério do que o planejado. Em
agosto, por exemplo, a produção alcançou 2,3 milhões de toneladas. Um dos motivos
do bom andamento na fase de ramp up do sistema truckless é que os operadores dos
sistemas foram treinados em empresas no exterior com longa experiência em operações
de minas com correias transportadoras. A capacidade nominal deve ser alcançada de
forma sustentável até 2020.
O sistema de correias transportadoras teve o seu start up em setembro de
2016 e foi comissionado já com a capacidade nominal de 17 mil toneladas/hora. Na
planta, todas as áreas foram comissionadas e estão operando.
O pátio de estocagem já movimentou mais de 12 milhões de toneladas de
minério e no terminal de carga do trem já foram carregados 310 trens com 330 vagões
cada um.
Em dezembro de 2017, quando completa um ano da inauguração, o S11D
deve atingir 25% da capacidade nominal projetada, como já mencionado, e a previsão é
que até 2020 se chegue a 100% da capacidade nominal.
Em termos de volume de produção, até agosto de 2017 haviam sido
produzidas 12 milhões de toneladas e entre setembro e dezembro a produção prevista
é de 9 a 11 milhões t, perfazendo um total, em 2017, entre 21 e 23 milhões t.
Desafios
Por sua dimensão e características, o S11D apresenta alguns desafios,
segundo a Vale, como a transição da fase de comissionamento para produção integrada
dos diversos sistemas, a previsibilidade da lavra dos materiais compactos na mina para
permitir a produção integrada dos diversos sistemas e a mobilidade dos britadores para
materiais compactos. A eficiência da lavra com o sistema truckless requer que a maior
parte do material a ser lavrado seja friável.
Daí a importância da previsibilidade da lavra dos materiais compactos, já que
os sistemas de mina 9 operam de forma independente.
Logística
Com a produção adicional do S11D, a capacidade logística do Sistema Norte
pode chegar a 171 milhões t em 2017, devendo evoluir para 200 milhões t em 2018,
chegando a 217 milhões t em 2019 e finalmente alcançando a capacidade de 230
milhões até 2020.
A expansão da parte de logística requereu a construção do ramal ferroviário
com 101 km, conectando a mina S11D com a ferrovia principal, a duplicação de 570 km
da Estrada de Ferro Carajás e a renovação de um trecho de 220 km, elevando a
capacidade para 230 milhões t.
Na ferrovia já foram duplicados 470 km, entregues 43 das 46 pontes e
viadutos, e 26 de 46 pontes sobre a ferrovia. Assim, hoje a capacidade do sistema está
em 171 milhões toneladas.
No porto, foi necessária a construção de uma nova infraestrutura onshore,
incluindo dois viradores de vagão, 1 empilhadeira, 2 recuperadoras, 2
empilhadeiras/recuperadoras e 4 pátios de estocagem.
Também foi requerida a construção de um novo berço (o píer 4, no berço
norte), aumentando a capacidade de movimentação para 230 milhões t. No porto, as
obras estão com mais de 91% de avanço físico. Segundo a Vale, os principais ativos
(como viradores de vagão, empilhadeira, recuperadoras e correias transportadoras) já
foram concluídos e estão operando. Duas outras empilhadeiras/recuperadoras estão
previstas para serem entregues no segundo trimestre de 2018.
No terminal marítimo, todas as obras estão concluídas e o porto está em
operação, já tendo sido embarcadas 20,8 milhões de toneladas de minério (até agosto
de 2017).
Fonte: Brasil Mineral
Autor: Francisco Alves
Data: Edição Outubro 2018

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