RETORNO DA SAMARCO PODE SER MAIS FÁCIL COM SAÍDA DA BHP, DIZ DIRETOR DA VALE

O retorno às operações da mineradora Samarco poderá ser mais fácil caso a
Vale seja a única dona da empresa, controlada também pela anglo-australiana BHP
Billiton, afirmou nesta quarta-feira o diretor de Relações com Investidores da gigante
brasileira, André Figueiredo.
A Samarco, uma joint venture 50/50 da Vale e da BHP, está com operações
paralisadas desde o fim de 2015, quando uma de suas barragens de mineração se
rompeu em Mariana (MG), causando 19 mortes, deixando centenas de desabrigados e
poluindo o rio Doce, que deságua no mar do Espírito Santo.
“A gente quer que a Samarco volte a operar… e isso pode ser mais fácil se a
Vale vier a tocar essa operação sozinha”, disse Figueiredo a jornalistas, logo após
participar de encontro com investidores em São Paulo.
O executivo explicou que a Samarco trabalha com a opção de utilizar um
depósito de rejeitos que poderá ser aproveitado por cerca de dois anos, uma alternativa
que não é suficiente para garantir as operações no longo prazo.
“É improvável que os órgãos deem uma licença para uma barragem como
no passado. A alternativa é usar minas exauridas como depósito, e essas minas são da
Vale”, explicou Figueiredo.
O diretor, no entanto, evitou dar mais detalhes sobre uma possível saída da
BHP Billiton, do negócio, explicando que ainda não há nada definido.
“É uma discussão que envolve valor, mas as coisas são muito intangíveis
também. Você tem toda essa questão hoje das ações judiciais, como isso vai caminhar…
são várias variáveis. ”
As declarações do executivo ocorrem após a Reuters publicar no início do
mês que estavam ocorrendo conversas sobre o futuro da Samarco e que uma alternativa
seria que a Vale comprasse a participação da BHP.
Figueiredo destacou ainda que “é muito difícil” que no futuro a Vale volte a
ter uma joint venture 50/50 como a Samarco, uma vez que a companhia sofreu forte
desgaste de imagem após o rompimento da barragem da mineradora, mesmo não tendo
100 por cento de gerência sobre suas operações.
“A Samarco era gerida por terceiros, outro time de executivos…. O que a
gente descobriu é que se a Vale vai estar em qualquer negócio, projeto, ou operação,
ela precisa estar lá operando, porque ela pode implementar seus padrões”, explicou.
Segundo Figueiredo, a Vale e a BHP empenharam até agora cerca de 1,4
bilhão de reais cada uma em compensações e remediações após o desastre
socioambiental, considerado o maior da história do Brasil.
Meta de dívida
Durante o encontro com investidores, Figueiredo também reiterou que as
atuais prioridades da Vale são reduzir a dívida líquida a 10 bilhões de dólares, ante os 21
bilhões de dólares registrados no fim do terceiro trimestre, e pagar dividendos maiores,
ambos os objetivos ainda para este ano.
“A gente consegue fazer, na realidade, se o preço (do minério de ferro)
continuar como está hoje, muito antes do final do ano… a meta de 10 bilhões é super
factível”, disse o executivo.
Além disso, Figueiredo reiterou que a empresa quer ser mais previsível e que
vai buscar uma política de dividendos similar à de seus concorrentes no mercado, como
o pagamento de um determinado percentual em relação ao lucro.
“A ideia é que qualquer um possa calcular, um percentual sobre alguma
métrica… menos discricionariedade: se acontecer aquilo, pronto, paga-se”, afirmou.
Em entrevista em dezembro a jornalistas, o presidente da Vale, Fabio
Schvartsman, confirmou que uma nova política de dividendos da mineradora deverá ser
apresentada em março.
Fonte: Reuters
Autor: Luciano Costa
Data: 17/01/2018

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