RETOMADA DE PESQUISAS MINERÁRIAS NO BRASIL DEVE DEMORAR A OCORRER

O setor extrativo brasileiro necessita urgentemente de novos investimentos em pesquisas minerárias. E
apesar de já somar uma década sem aportes nesse sentido, a retomada das análises geológicas no país
demandará tempo para ocorrer. A estimativa varia entre cinco a dez anos e se justifica não apenas pela
necessidade de liquidez dos ativos para atrair interessados, mas também pelas intempéries dos órgãos
públicos de regulação e fiscalização nacionais.

A avaliação é do presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira das Empresas de
Pesquisa Mineral (ABPM), Elmer Prata Salomão. Segundo ele, um dos caminhos para viabilizar tais inversões
passa por uma estrutura de mercado de capitais dedicada ao setor, aos moldes do que já ocorre no Canadá
e na Austrália. No entanto, o modelo é complexo para ser implementado.

“Não vamos conseguir da noite para o dia. Quando fui diretor do antigo DNPM (Departamento
Nacional de Produção Mineral), na década de 1990, já buscava construir um modelo de captação de recursos
junto com a Bolsa do Rio de Janeiro e alguns bancos privados, e não foi possível. O processo é mais complexo
do que se pode imaginar”, declarou.

Segundo o especialista, trata-se apenas de uma questão de mercado, já que, embora estruturar o
mecanismo seja mais simples, garantir a liquidez demandará maior esforço. Neste sentido, ele ressaltou que
o momento parece ser oportuno, uma vez que a taxa básica de juros (Selic) se encontra em menor nível
histórico (4,5%) e os investimentos de maior risco tornam-se mais rentáveis, ao passo que os de renda fixa
ficam menos atrativos.

De toda maneira, Salomão ponderou que investimentos de risco não integram o perfil investidor da
maioria dos brasileiros, e que as próprias grandes companhias nacionais já começam a aplicar capital em
pesquisas minerárias em outros países, como é o caso do Grupo Votorantim. Isso tem ocorrido, de acordo
com o conselheiro da ABPM, por causa das amarras do setor em solo nacional.

“As grandes empresas que ainda investem por aqui focam apenas no entorno das suas próprias
minas. Não há busca por novos ativos. Já as empresas de menor porte necessitam de capital”, disse.
A fuga das empresas, segundo o especialista, se deve também por causa do emparelhamento dos
órgãos de regulação e fiscalização nacionais. “Há uma empresa canadense com jazida de ouro no Xingu que
não consegue as licenças ambientais. É o único projeto de ouro nacional que está entre os 20 maiores do
mundo, com área pesquisada e pronta para receber a mina. Não sai do papel porque não é do interesse de
algumas instituições”, denunciou.

Isso aumenta ainda mais a necessidade de se buscar aportes internacionais. No caso dos recursos
estrangeiros, a retomada das pesquisas geológicas ganhou outros dificultadores com o rompimento de duas
barragens de rejeitos de minério de ferro em solo brasileiro nos últimos anos – da Samarco em 2015 e da
Vale, no ano passado, ambas em Minas Gerais.

“A imagem da mineração brasileira foi afetada não apenas internamente, mas também no exterior.
Além disso, cada vez mais os investidores internacionais têm optado alocar capital em projetos do Brasil em
estágio avançado, com recursos demonstrados e praticamente prontos para entrar em operação”,
comentou.

Por fim, o especialista lembrou que tamanha complexidade pode ser transposta a partir da
estruturação de uma Agência Nacional de Mineração (ANM) forte e capaz de enfrentar estes impasses.
Neste sentido, ele ressaltou que o setor já trabalha na criação de uma bolsa de minério para o país e
que um grande passo foi a criação da Comissão Brasileira de Recursos e Reservas (CBRR), em 2015,
estabelecendo as práticas na elaboração de relatórios nos termos dos códigos do Comitê de Reservas
Minerais e Padrões Internacionais de Relato (Committee for Mineral Reserves International Reporting
Standards – CRIRSCO). As informações são do Diário do Comércio.

Fonte: Notícias de Mineração
Data: 29/01/2020

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