RECURSOS PARA PROJETOS DE MINERAÇÃO SUPERAM R$ 1 BILHÃO

Iniciativas para a exploração de minerais nos municípios de São José do Norte,
Caçapava do Sul e Lavras do Sul acarretarão um investimento somado superior ao patamar
de R$ 1 bilhão, caso saiam do papel. Apesar de estarem hoje em estágios avançados e com
seus processos de licenciamentos já protocolados, esses empreendimentos precisarão
superar o receio do impacto ambiental gerado pela atividade de extração para serem
concretizados.
Os três projetos são conhecidos pelos nomes de Retiro (em São José do Norte,
da empresa Rio Grande Mineração), Caçapava do Sul (no município de mesmo nome, da
joint venture formada entre a Mineração Iamgold Brasil e a Nexa Resources – antiga
Votorantim Metais) e Fosfato Três Estradas (em Lavras do Sul, da Águia Fertilizantes). A
primeira proposta prevê a exploração dos minerais ilmenita e rutilo (substância titânio) e
zircão (substância zircônio). Já a segunda lida com chumbo, zinco e cobre, além de uma
pequena quantidade de prata. E a terceira é focada na extração de minério de fosfato para
a produção de matéria-prima para a indústria de fertilizantes.
Os empreendimentos foram citados durante a apresentação de novos estudos
realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) que identificam potencialidades
minerais em uma área de mais de 212,5 mil quilômetros quadrados do Estado. Esses
trabalhos foram divulgados ontem no Auditório do Sindicato dos Engenheiros do Rio
Grande do Sul, em Porto Alegre. O diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço
Geológico do Brasil (CPRM), Jose Leonardo Silva Andriotti, destaca que o Rio Grande do Sul
tem potencial para explorar diversos outros minerais, além do carvão (atividade em que o
Estado possui tradição).
O professor da Unisinos e geólogo Wilson Wildner comenta que, entre outras
oportunidades, identifica-se a possibilidade da ocorrência de depósitos de níquel e cobre,
por exemplo. Esse potencial é verificado em toda a metade Norte do território gaúcho. No
caso do aproveitamento comercial do níquel, Wildner ressalta que diversas ligas metálicas
especiais utilizam esse elemento. O geólogo do CPRM Jorge Henrique Laux acrescenta que
também são desenvolvidas no Estado pesquisas relativas à presença de ouro. Para Laux, o
maior entrave para expandir a extração mineral no Estado é a questão ambiental.
Uma novidade que pode contribuir para superar alguns obstáculos é a
finalização do plano estadual de mineração. O diretor de Inovação e Fontes Alternativas da
Secretaria de Minas e Energia, Carlos Augusto Almeida, informa que esse planejamento
deve ser concluído até agosto. O trabalho encontra-se em fase final de levantamento de
informações. “A ideia dessa ação é trazer o investidor, mostrar a capacidade que o Rio
Grande do Sul tem dentro das quase cem substâncias minerais disponíveis”, argumenta.
Além do plano indicar os recursos que se encontram no Estado, aponta os locais em que a
mineração é possível e a documentação necessária para realizar essa prática. A iniciativa é
dividida em subcomitês ligados a segmentos como o da construção civil, insumos agrícolas,
cerâmica, rochas ornamentais, água mineral, entre outros.
Para o segundo semestre estão previstas movimentações no segmento
carbonífero, sendo ofertadas pelo CPRM à iniciativa privada, entre outras áreas, reservas
de carvão em Candiota. Para 2019, deverão ser disponibilizadas mais jazidas entre Butiá e
Cachoeira do Sul. Andriotti lembra que até 1994 o CPRM era uma empresa de economia
mista e possuía direitos minerários. Porém, a instituição tornou-se companhia pública e o
objetivo agora é repassar direitos minerários de algumas áreas para a inciativa privada via
leilões ou editais de licitação pública.
Fonte: Jornal do Comércio
Autor: Jefferson Klein
Data: 08/05/2018

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