QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

Há não muito tempo, Responsabilidade Social Corporativa era uma área
relegada a segundo plano nas empresas de mineração. Não se dava muita atenção às
comunidades onde as empresas estavam inseridas, com algumas poucas e louváveis
exceções. Em vários casos esse trabalho era delegado a pessoas ou grupos que não
tinham poder de decisão e muitas vezes acumulavam diversas tarefas, entre elas o
relacionamento da companhia com o público externo. Não era muito raro também que
essa atividade fosse confundida com o trabalho de marketing ou de Relações Públicas.
Muitas vezes, a atuação das empresas nessa área era (e ainda é, em certa
medida) pautada por ações de caráter assistencialista, seja de forma voluntária ou para
atender a demandas oportunistas, que nem contribuíam para efetivamente melhorar a
qualidade de vida das pessoas da comunidade, nem influíam positivamente nas relações
da empresa com aquele público.
Só mais recentemente, as empresas mineradoras começaram a se dar conta
de que o relacionamento com o público externo, principalmente com aquelas
comunidades que estão mais próximas das áreas operacionais e que sofrem mais
diretamente os impactos que a atividade mineral necessariamente causa, é de vital
importância. E algumas empresas passaram a encarar a questão com a devida seriedade
e engajamento. Uma prova disso é que a área de Responsabilidade Social passou a ter
participação dos dirigentes das empresas, inclusive por conta de maior exigência por
parte de acionistas, clientes e comunidade.
Essa compreensão veio em boa hora. As empresas precisam entender que,
embora seja uma atividade temporária, que dura enquanto durar a mina, a mineração
ocupa um território pelo período de algumas décadas (às vezes séculos) e afeta positiva
e negativamente as comunidades daqueles territórios. Nesse período, a empresa
precisa deixar um legado além dos empregos (que serão cada vez menos, conforme a
atividade se moderniza) que gera durante a fase de operação da mina, do aumento da
renda per capita para uma parte daquela comunidade e do pagamento de tributos que
deveriam contribuir para melhorar a infraestrutura das cidades, dos serviços para a
população (Saúde, Educação, Saneamento).
As companhias mineradoras precisam efetivamente se integrar à vida dessas
comunidades, criar laços e desenvolver ações que lhes permitam ser vistas como
membros naturais das comunidades e não como exploradores, que vêm, tiram a riqueza
e depois vão embora. Isto nem sempre é fácil, porque as minas normalmente estão
localizadas em locais remotos, pouco urbanizados, com um PIB muito baixo. E como
qualquer mina envolve investimentos da ordem de milhões e até bilhões de dólares, o
peso das mineradoras sobre a vida econômica (e também social) naquelas comunidades
é enorme. Cria-se uma dependência que não é saudável nem para a empresa, nem para
a comunidade. A relação do povoado de Bento Rodrigues e mesmo da cidade de
Mariana com a Samarco é muito ilustrativo neste sentido.
A necessidade de maior avanço nessa área, por parte da mineração, ficou
patente durante o segundo seminário Mineração &/X Comunidades, realizado pela
Brasil Mineral em outubro deste ano, na cidade de Belém.
Embora várias empresas tenham políticas e programas de ação consistentes,
muitas outras ainda estão na base do assistencialismo ou fazem o chamado marketing
social. O setor mineral precisa entender que, mais do que nunca, Responsabilidade
Social é uma questão de sobrevivência corporativa.
Fonte: Brasil Mineral
Autor: Francisco Alves
Data: Edição Novembro 2017

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