QUALIDADE, PRODUTIVIDADE E CUSTO PAUTARÃO A INDÚSTRIA DA MINERAÇÃO

Com a maturação de grandes empreendimentos, o foco da indústria da
mineração não deverá ser apenas no volume de produção, mas na qualidade do
produto, na produtividade e em custos mais competitivos. Esta é a tendência para o
mercado mundial de minério de ferro, apresentada pelo diretor da consultoria britânica
CRU, Paul Robinson, no painel “Mercado Global de Preços das Commodities Minerais:
perspectivas e tendências”, no 17º Congresso Brasileiro de Mineração.
Paul Robinson disse que grandes projetos de mineração de minério de ferro
estão em curso e serão suficientes para atender à demanda global pela commodity.
“Com esses projetos, a oferta de minério de ferro no mundo tenderá a aumentar. Depois
disso, a qualidade da produção, custos e produtividade serão fator de competitividade”,
acredita Paul Robinson. No Brasil, dois grandes empreendimentos contribuirão para
esse aumento da oferta mundial: o projeto S11D, da Vale, em Carajás (PA), inaugurado
recentemente, e o projeto Minas Rio, da Anglo American, em Conceição do Mato Dentro
(MG).
O consultor não descarta, inclusive, uma situação de sobreoferta,
especialmente se for confirmada a redução do consumo pelo mercado chinês, em
função da conclusão de grandes empreendimentos de infraestrutura – movimento que
pode influenciar, também, a política de preços, como salientou o consultor.
Considerando esse cenário, o Brasil tende a se destacar, por conta da
qualidade de suas commodities, como afirmou Paul Robinson: “o Brasil é um importante
produtor de commodities de qualidade”. A opinião é compartilhada pelo também
consultor John Mothersole, diretor da norte-americana IHS Markit, para quem a
qualidade das commodities coloca o Brasil numa posição privilegiada.
Contudo, Mothersole alerta para um outro risco, motivo de preocupação
dos executivos da mineração presentes ao 17º Congresso Brasileiro de Mineração e a
Exposição Internacional de Mineração: o excesso de regulação da atividade de
mineração. “Nos últimos dez anos percebemos alterações nas diretrizes”, observa o
consultor. “O Brasil de hoje, comparado com o Brasil de 2007, está menos atrativo para
investimentos no setor mineral”, disse.
A médio prazo, a exemplo de Paul Robinson, John Mothersole também disse
que o consumo de minério de ferro pela China tende a arrefecer, por conta da conclusão
dos grandes projetos de infraestrutura.
Para ambos, eventos como 17º Congresso Brasileiro de Mineração são
fundamentais para se compreender a dinâmica do mercado de mineração. “É
importante para conhecermos a visão do Brasil sobre a indústria da mineração”,
observou Paul Robinson. “Neste momento de expansão global, eventos como este são
muito bem-vindos”, observou John Mothersole.
Fonte: Portal da Mineração
Data: 10/102017

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