PESQUISADORES DA CPRM SE REÚNEM COM PROFESSOR DO INPE PARA CONHECER ESTUDO SOBRE USO DE CIÊNCIAS MATEMÁTICAS PARA REDUÇÃO DE RISCOS DE DESASTRE

A metodologia apresentada será implementada pela CPRM em seus futuros estudos em locais com
presença de barragens, cujo piloto será na região de Carajás (PA)

Pesquisadores do Departamento de Gestão Territorial (DEGET) do Serviço Geológico do Brasil (CPRM)
participaram de uma reunião com o professor Laércio Massaru Namikawa, do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), para conhecer sua pesquisa sobre o uso de Ciências Matemáticas para redução
de riscos de desastre com foco em rupturas de barragens. O encontro ocorreu no Escritório da CPRM no Rio
de Janeiro, no dia 17 de dezembro e contou também com a participação de pesquisadores do DEGET, DIINFO,
Núcleo de Curitiba e da Superintendência Regional de Belém via videoconferência.
O doutor em Geografia e mestre em Computação Aplicada, Namikawa, apresentou aos
pesquisadores os modelos e softwares utilizados para realizar o mapeamento de áreas susceptíveis a
inundação e ao atingimento por lama. O professor utilizou um modelo de Conservação de Massa e Momento
de código aberto chamado Titan2D e o software TerraHidro, desenvolvido no INPE, que contém a geração
do modelo HAND (Altura Acima da Drenagem mais Próxima). Os dados utilizados na pesquisa foram do
Modelo Digital de Elevação (SRTM 30 metros), adquiridos durante o vôo de um ônibus espacial em fevereiro
de 2000 e disponibilizado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, sigla em inglês).

Segundo Namikawa, a ideia do projeto é verificar a possibilidade de utilizar estas ferramentas para
gerar os mapas de risco de atingimento por ruptura de barragens, complementando outros mapas de risco
e ferramentas existentes.

“Os recentes casos de ruptura de barragem de rejeitos em Brumadinho e Mariana demonstraram
que os mapas de risco existentes não correspondiam à realidade ou estavam inacessíveis ou não
comunicados para as pessoas em risco”. O professor explicou também que a utilização de ferramentas de
código aberto e dados gratuitos permite que estes mapas sejam produzidos abertamente. As vantagens
desta iniciativa são: confrontar mapas de risco existentes e trazer o conhecimento do risco para as
populações locais.

Segundo Jorge Pimentel, pesquisador em Geociências do DEGET/CPRM que convidou Namikawa para
a reunião, a utilização desses aplicativos é muito necessária para os estudos que a CPRM vai desenvolver
com relação a ruptura de barragens.

“Iremos aplicar a metodologia em uma barragem específica, localizada em Parauapebas, no Pará,
rompendo virtualmente a barragem com auxílio dos aplicativos. Esse processo recebe o nome de “dam
break”. Pimentel explicou também que, em fevereiro, haverá uma outra reunião em Belém, em que o
professor irá treinar os pesquisadores da CPRM com sua metodologia.
A supervisora da Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial de Belém, Sheila Gatinho destacou que
os dados gerados pelo projeto permitirão a caracterização do meio físico e a população que está inserida na
mancha de inundação, caso ocorra um rompimento.

“Em frente a materialização do rompimento da barragem, conhecer o contexto anterior da área
impactada é de suma importância para um maior êxito nas tentativas de recomposição do ambiente afetado.
Além disso, a caracterização do meio físico poderá auxiliar as defesas civis municipais na elaboração do plano
de contingência, uma vez que não existe nenhum plano de contingência elaborado no estado do Pará para
desastres tecnológicos (rompimento de barragens) e desastres naturais”.

A chefe do Departamento de Gestão Territorial, Adelaide Maia, vê nessa iniciativa uma grande
oportunidade de preparar o Serviço Geológico do Brasil para trabalhos dessa natureza que integrará
levantamento das adequabilidades e limitações dos terrenos através da caracterização da geodiversidade,
geotecnia, modelagem espacial, geoquímica ambiental e geofísica.

Fonte: Serviço Geológico do Brasil
Autora: Lorena Amaro
Data: 03/01/2020

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