NEXA, DA VOTORANTIM, ESTREIA EM ALTA NA BOLSA

Em seu primeiro dia de negociação em Nova York e Toronto, a Nexa
Resources, nova denominação da Votorantim Metais, chegou perto do preço ao qual
queria vender suas ações da oferta inicial pública (IPO, na sigla em inglês). Os papéis
subiram 8,75% na Nyse, para US$ 17,40 cada.
A empresa, uma produtora majoritariamente de zinco, cobre e chumbo –
mas com ouro e prata como subprodutos -, pretendia sair nas duas bolsas valendo de
US$ 18 a US$ 21 cada ação. Fechou com os investidores, entretanto, a US$ 16. A
operação, que envolveu 20,5 milhões de papéis em oferta primária e mais 10,5 milhões
de outros em oferta secundária, movimentou US$ 496 milhões.
Em entrevista ao Valor, o presidente da companhia, Tito Martins, disse que
cobre e zinco são, de fato, os dois produtos com melhor perspectiva no portfólio e que
não há intenção de desviar para a produção de outros metais. O executivo lembrou que
os processos mundiais de renovação de frotas e de urbanização provavelmente
sustentarão a demanda no futuro.
O zinco é usado na galvanização do aço, destinado à montagem de carros e
à construção. O cobre, por sua vez, é muito utilizado em instalações elétricas.
“Daqui para frente não é só a China que vai determinar a demanda pelo
zinco”, comentou. “É um processo de urbanização também de outros países asiáticos,
influenciados pelo crescimento chinês até agora, e do Oriente Médio e América Latina.”
Martins também aposta que a paulatina troca de frotas de carros ajudará na
procura pelo aço galvanizado. Na Ásia, por exemplo, ele argumenta que muitos dos
veículos não levam o produto, que é mais nobre. A mudança para um modelo de carros
elétricos também traz essa perspectiva.
Os dois fatores que ajudam o zinco também podem impulsionar o cobre,
segundo principal produto da Nexa. Na construção, compõe fiações elétricas. Nos carros
elétricos, é um insumo fundamental. “Temos três projetos novos para serem concluídos
em breve. Deles, um é de cobre. É o metal da próxima década.”
Os recursos do IPO serão usados para financiar o começo dessa expansão.
São três projetos em fase mais avançada: dois no Peru e um em Minas Gerais. Há outro
empreendimento peruano ainda em fase inicial de engenharia para mudanças na
fundição de Cajamarquilla.
Há ainda sete projetos para serem iniciados do zero, o chamado
“greenfield”. Todos estão em estágio de exploração ou estudo de viabilidade econômica.
Questionado sobre o fato de o IPO ter saído abaixo da faixa de preço
pretendida, Martins disse que não houve problemas, já que toda a operação, inclusive
o nível de demanda, saiu exatamente como o esperado.
“Minha perspectiva agora é crescer na produção de zinco e cobre.
Consequentemente, isso deve aumentar nossa oferta de chumbo. Não pretendo entrar
em outros metais”, disse Martins. “Alumínio e níquel [que o grupo Votorantim também
explora no Brasil] não tinham a aderência necessária a esse pacote oferecido nas bolsas,
até por isso ficaram fora.”
De diferente após a abertura de capital, além dos recursos para expansão e
a percepção de que o custo de capital vai melhorar, para a Nexa haverá pouco. Martins
diz que há pelo menos dois anos opera como se já fosse listado em bolsa, em um
processo de melhora de governança corporativa do grupo Votorantim e de
encaminhamento da área de metais para um IPO.
“Acho que a responsabilidade aumenta, mas já era grande. Agora, a própria
Votorantim deve passar por um grande aprendizado”, comentou. “Ela já faz parte do
grupo de controle da Fibria [produtora de papel e celulose], mas não é majoritária em
uma empresa de capital aberto como a nossa agora. As relações são outras.”
Fonte: Valor
Autor: Renato Rostás
Data: 30/10/2017

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