MUDANÇAS NA LEI PODEM TORNAR O SETOR MAIS ATRATIVO

De acordo com os dados sobre arrecadação da CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração
Mineral), a Produção Mineral Brasileira em 2018, quando medida em reais, ficou praticamente igual à
registrada em 2017. No ano passado, o valor da PMB somou R$ 101,4 bilhões, contra um total de R$ 100,7
bilhões em 2017, o que significa que houve uma evolução de apenas R$ 700 milhões. Medida em dólar, no
entanto, e considerando-se um valor médio de R$ 3,70 para a moeda norte-americana, a PMB em 2018 foi
de aproximadamente US$ 27,5 bilhões, contra US$ 31,5 bilhões no ano anterior, quando o dólar esteve
menos valorizado. Isto significa que, em dólar, a PMB recuou cerca de US$ 4 bilhões.
Em termos quantitativos, embora não se tenha números fechados e consolidados, sabe-se que
houve redução por parte de produtores importantes, como é o caso da Anglo American, que por conta de
um vazamento em seu mineroduto teve que ficar boa parte do ano sem produzir minério de ferro em seu
complexo Minas-Rio. Também é sabido que houve redução na produção de minérios para construção, pois
a indústria de agregados, por exemplo, estima uma queda da ordem de 15% em suas vendas no ano,
enquanto a indústria de cimento fechou o ano com queda de 1,1% nos despachos, o que se reflete
negativamente na produção de calcário. Por outro lado, houve aumento na produção de minério de ferro
da Vale, com a evolução da operação do projeto S11D, permitindo que a empresa fechasse o ano com uma
produção da ordem de 390 milhões de toneladas.
O minério de ferro continua sendo responsável pelo maior valor da PMB, tendo somado R$ 56,4
bilhões (US$ 15,2 bilhões), o que equivale a cerca de 55,6% do valor total. Em segundo lugar ficou o ouro,
com R$ 9,3 bilhões (US$ 2,5 bilhões), ou 9,2% e em terceiro o cobre, com R$ 9,2 bilhões (US$ 2,4 bilhões),
o que equivale a 9,0%. Outras substâncias importantes em termos de participação no valor da PMB são a
bauxita (R$ 3,2 bilhões), calcário dolomítico (R$ 3,1 bilhões), fosfato (R$ 2,2 bilhões), granito (R$ 2,1
bilhões), minério de manganês (R$ 1,4 bilhão), níquel (R$ 849 milhões), caulim (R$ 825 milhões), minério
de nióbio R$ 697 milhões), minério de estanho (R$ 663 milhões), minério de zinco (R$ 472 milhões) e
minério de cromo (R$ 209 milhões).
Os maiores produtores de minério de ferro no Brasil, em termos de capacidade instalada, são a
Vale (incluindo controladas e coligadas), seguida pela CSN, Anglo American, Gerdau Açominas, Vallourec
Mineração, Mineração Usiminas, Ferrous Resources do Brasil, Ferro+ Mineração, ArcelorMittal Brasil,
Ferromar, Empabra, Minerita, Extrativa Mineral, Mineração Ibirité, JMN Mineração, Comisa, Itaminas, GO4
Participações e Cia de Mineração Serra da Farofa.
A produção de ouro no País é liderada pela AngloGold Ashanti, que em 2019 está completando 185
anos de atuação no território brasileiro. A Vale, através da Salobo Metais, que obtém o metal como
subproduto da produção de cobre, coloca-se em segundo lugar, seguida pela Kinross, Yamana, Leagold,
Beadell, Jaguar Mining, Mineração Apoena (Aura Minerals), Serabi e Avanco Oz, que também obtém ouro
como subproduto da lavra de cobre.
Quanto ao cobre, que a cada ano ganha mais importância no cenário produtivo da mineração
brasileira, por enquanto há poucos produtores em território nacional. A liderança na produção é exercida
pela Salobo Metais, controlada pela Vale, enquanto a Mineração Maracá (Lundin Gold) ocupa a segunda
posição, vindo a seguir a Mineração Caraíba (Ero Copper) e a Avanco Oz. Nos próximos anos a produção
brasileira de cobre deve crescer, já que todos esses produtores estão com projetos para expansão da
capacidade.

Balança comercial
De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia – abrangendo a mineração e a indústria da
transformação mineral – o Brasil fechou o ano de 2018 com superávit de US$ 22,9 bilhões, com as
exportações totalizando US$ 49,3 bilhões e as importações de US$ 26,4 bilhões. A participação do setor
mineral no total das exportações brasileiras, que somaram US$ 239,9 bilhões, foi de 20,5%.
Considerando-se apenas as commodities minerais, as exportações totalizaram US$ 25,2 bilhões, o
que equivale a 10,5% das exportações brasileiras e a 51,1% das exportações do setor mineral. Com relação
ao mesmo período de 2017, o crescimento foi da ordem foi de 4,8%. O resultado foi influenciado
principalmente pelo aumento das exportações de minério de ferro, tanto em volume como em receita. Em
volume, as vendas de minério de ferro ao exterior passaram de 383 milhões de toneladas, em 2017, para
390 milhões de toneladas, em 2018. Em valor, a evolução foi de US$ 19,2 bilhões, para US$ 20,2 bilhões.
O minério de ferro, isoladamente, participou com 80% do total da receita gerada com as vendas
externas de minérios, o que equivale a 41% da receita gerada pelo setor mineral e 8% do valor das
exportações brasileiras.
Na parte da transformação mineral, os destaques ficam para as exportações de ouro e ferro-nióbio
que registraram, em 2018, o total de US$ 2 bilhões e US$ 2,8 bilhões, respectivamente.
Já as importações da mineração totalizaram US$ 8,4 bilhões, com crescimento de 7,8%, justificado
pelo aumento, tanto em volume como em valor, das importações de potássio, que totalizaram US$ 3,1
bilhões, o que ressalta a grande dependência brasileira das importações de fertilizantes.

Mudanças na política mineral.
O ano de 2018 foi marcado por diversas mudanças na política mineral brasileira, com a
implementação de medidas que formavam o Programa de Revitalização da Indústria Mineral Brasileira.
Assim, foram provadas as leis 13.575/2017, que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM) e
13.540/2017, que alterou as regras e percentuais da Compensação Financeira pela Exploração Mineral
(CFEM). Além disso, foi concretizada a regulamentação do Código de Mineração, que está em vigor desde
1967, tendo sido introduzidas algumas modificações visando a sua modernização.
No caso da ANM, os pontos considerados positivos são: diretoria colegiada, o que em tese
possibilita maior neutralidade e independência, com a adoção de decisões mais técnicas; análise de
impacto regulatório, com decisões melhor embasadas, com participação da sociedade, garantindo mais
transparência; melhor uso dos recursos, com o aprimoramento da eficiência da tramitação processual e
permitindo efetiva fiscalização dos empreendimentos minerários; e ganho de eficiência, com maior
especialização técnica, redução de prazos de resposta para a sociedade, normas mais claras e menor
judicialização.
Com relação à CFEM, houve redução da alíquota para rochas em geral, areia, materiais de
construção, rochas ornamentais, águas minerais e fontes termais, aumento de 0,5% na alíquota para ouro
e de 1,5% para minério de ferro. Houve também mudanças na destinação dos recursos arrecadados com o
royalty, que passa a ser de 7% para a ANM, (Agência Nacional de Mineração) 1% para o FNDCT (Fundo
Nacional para o Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico), 1,8% para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 15% para os estados onde a atividade é exercida, 60% para
os municípios produtores e 15% para os municípios impactados pela mineração (aqueles que tenham
barragens, plantas de beneficiamento, ferrovias, minerodutos e portos em seu território).
Essas medidas contribuíram para amenizar o clima de incertezas que perdurava no setor há alguns
anos, desde que o governo tentou implementar uma série de mudanças que eram fortemente criticadas
pelo segmento empresarial. Embora critiquem o aumento nas alíquotas da CFEM (principalmente para
minério de ferro e ouro), os empresários viram com bons olhos medidas como a permissão do uso da
concessão de lavra como garantia de financiamento, a oferta ao mercado de áreas devolvidas ou
retomadas pelo governo, a manutenção do direito de prioridade para pesquisa — permitindo-se a
prorrogação das atividades de pesquisa mesmo após a apresentação do relatório final e também a
possibilidade de prorrogação do alvará de pesquisa quando houver morosidade na obtenção de licença
ambiental ou no acesso à área a ser pesquisada. Também foi elogiada a adequação do Código e Mineração
ao conceito internacional de recursos e reservas.
As medidas, porém, ainda não surtiram efeito no aumento da atividade de exploração mineral no
Brasil, como fica demonstrado pelos números de requerimentos de pesquisa, relatórios de pesquisa e
portarias de lavra. Segundo a ANM, em 2018 foram apresentados 9.528 requerimentos de pesquisa, contra
10.848 em 2017, portanto houve decréscimo de um ano para outro. Já os alvarás de pesquisa publicados
caíram de 9.569, em 2017, para 9.196, em 2018. Os relatórios de pesquisa aprovados, no entanto, tiveram
um aumento, passando de 1.463 em 2017 para 1.702 em 2018. As portarias de lavra também
aumentaram, de 206 em 2017 para 315 em 2018.
Volta dos investimentos
Aparentemente o Brasil voltou a ter um clima favorável para investimentos na indústria de
mineração, pelo que se pode concluir tomandose por base o volume de recursos que estão programados
para serem investidos em projetos de ampliação da capacidade ou em novos empreendimentos. Num
horizonte de quatro a cinco anos, deve ser aplicada uma cifra superior a US$ 20 bilhões em projetos de
cobre, minério de ferro, zinco, bauxita/alumina, fertilizantes, terras raras, ouro, manganês, níquel,
diamantes, lítio, vanádio e nióbio. Desde grandes players do setor – como Vale, Anglo American, Nexa
Resources, CSN, CMOC — até companhias de menor porte todos parecem um pouco mais otimistas com
relação à viabilidade de seus planos de crescimento no País.
É importante salientar que não estão incluídos nesse valor os projetos dos segmentos de minerais
para construção (incluindo calcário para cimento) nem aqueles para produção de rochas ornamentais.
Também deve ser ressaltado que uma parte substancial dos investimentos se refere a dois projetos que
estão apenas planejados, não sendo possível precisar quando – e se – eles serão implantados. Trata-se dos
projetos Alumina Rondon e Amargosa, o primeiro da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), visando à
instalação de uma mina e usina para produção de bauxita e alumina no município de Marechal Rondon, no
estado do Pará, e o outro da Rio Tinto Zinc, na cidade de Amargosa, estado da Bahia, para produção de
bauxita.
Minério de ferro e manganês
O minério de ferro, do qual o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, atrás apenas da China e
Austrália, é contemplado com investimentos da ordem de US$ 7,5 bilhões, envolvendo nove projetos,
principalmente de ampliação da capacidade, embora haja também projetos greenfield. É importante
ressalvar, no entanto, que uma parte desses investimentos, aqueles que haviam sido programados pela
Vale, talvez não se concretize, já que alguns projetos estão em Minas Gerais, onde a empresa passou a
enfrentar problemas após o rompimento de uma das barragens da mina do Feijão, em Brumadinho (MG).
Em contrapartida, a empresa terá que investir fortemente no descomissionamento de barragens de rejeito
e isto acabará por se refletir no volume de investimentos previstos para o segmento de minério de ferro.
Antes do acidente com a barragem, a Vale pretendia investir cerca de US$ 1,860 bilhão com o
objetivo de ampliar a sua oferta de minério de alta qualidade para o mercado e aumentar sua
competitividade junto à indústria siderúrgica. Os projetos visavam expandir a produção de pellet feed
através da otimização de processos, redução do teor de ferro contido nos rejeitos e recuperação e
concentração de rejeitos depositados nas barragens.
Na região Norte, os empreendimentos da Vale previam a ampliação da capacidade de produção do
complexo S11D para 100 milhões de toneladas e instalação do projeto Gelado. No Sudeste, planejava-se o
aumento da produção de pellet feed.
A ampliação da capacidade de produção do S11D, que proporciona o aumento da capacidade
produtiva do Sistema Norte para 240 milhões de toneladas, demandará investimentos de US$ 770 milhões
e está prevista para operar a partir de 2022. Porém, em decorrência do acidente de Brumadinho, a
empresa teve que paralisar algumas operações no Quadrilátero Ferrífero, com redução na capacidade de
produção e para compensar esta redução já anunciou que pretende elevar a capacidade do S11D para até
150 milhões de toneladas. Como ainda se trata de um projeto em estudos, o valor dos investimentos não
foi anunciado.
Outro projeto importante na região Norte é o Gelado, em Carajás, para o qual estão previstos
investimentos de US$ 270 milhões e que poderá gerar uma produção adicional de minério de alta
qualidade. O projeto engloba a recuperação de cerca de 10 milhões t/ano de finos de minério da barragem
de rejeitos de Gelado e o minério será utilizado para alimentação da usina de pelotização de São Luís (MA).
Uma das vantagens desse projeto é o seu baixo custo, que deverá se situar em torno de US$
3,50/tonelada, bem abaixo da média de custo do Sistema Norte da Vale. O baixo custo é explicado pelo
fato de não se ter custo de transporte e não se usar caminhões. O projeto deverá iniciar operação no
segundo semestre de 2021.
Para o projeto de aumento da capacidade de pellet feed no Sistema Sudeste, a empresa havia
previsto investimentos de US$ 820 milhões, a serem desembolsados até 2023. Previa-se a otimização de
processos de concentração, para melhorar a recuperação de ferro, redução do teor de ferro nos rejeitos e
recuperação e reprocessamento dos rejeitos que atualmente estão depositados nas barragens e que ainda
possuem um bom teor de ferro. A expectativa da Vale era que este projeto possibilitasse uma produção
adicional de 20 milhões de toneladas em longo prazo. Agora, com os esforços da empresa sendo
direcionados para a reparação dos danos provocados em Brumadinho, a previsão é de que deverão ser
investidos em Minas Gerais, a previsão é de que serão investidos R$ 1,5 bilhão, entre 2020 e 2023, em
projetos que visam reduzir a utilização de barragens de rejeito. A companhia também anunciou que
planeja investir, entre 2020 e 2022, o valor de US$ 1,9 bilhão para o descomissionamento de 9 barragens
de rejeito de minério de ferro a montante no Brasil.
A expectativa da Vale, antes do acidente, era elevar sua capacidade de produção para 400 milhões
de toneladas/ano (em 2018 ela produziu 390 milhões t), que deveria manter-se nesse nível até 2023. Mas
com as reduções que ocorreram em Minas Gerais, as estimativas para o seu volume de vendas situam-se
entre 307 mil e 337 mil toneladas.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que ocupa o segundo lugar na produção brasileira de
minério de ferro, anunciou que encerrou 2018 com um volume comercializado de 35,2 milhões de
toneladas de minério de ferro, das quais 5,2 milhões t foram destinadas para a sua planta siderúrgica em
Volta Redonda (RJ). A empresa projeta um crescimento na produção de minério de ferro de 33,3% no
período 2018/2023 e para isto estão programados investimentos de US$ 740 milhões visando alcançar
uma capacidade de produção de 38 milhões de toneladas de minério de ferro em 2023, sendo 23,7
milhões de toneladas de sínter feed e 14,3 milhões de toneladas de pellet feed. O crescimento esperado
para o período virá principalmente da oferta de pellet feed, que irá quadruplicar de 3,5 milhões de
toneladas em 2018 para 14,3 milhões de toneladas em 2023. Já o sínter feed vai cair de 25 milhões de
toneladas para 23,7 milhões de toneladas no mesmo período. No início de 2019, a CSN solicitou
licenciamento para instalação de uma planta de beneficiamento para minério tipo itabirito, com
capacidade para produzir 10 milhões de toneladas/ano, o que, além de possibilitar o aumento de
produção, vai contribuir para a redução da geração de rejeitos. A expectativa é de que a nova planta opere
em dois anos a partir do início da implantação.
A Anglo American, que em 2018 teve seu volume de produção reduzido, devido à paralisação das
atividades para trabalhos de inspeção e substituição parcial do mineroduto que realiza o transporte de
minério até o ponto de embarque no litoral fluminense, está agora se dedicando à implantação da Fase 3
do complexo MinasRio, que demanda investimentos adicionais de aproximadamente US$ 300 milhões e
elevará a capacidade de produção para 26,5 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. A expectativa
da empresa é que já em 2019 a produção atinja um volume de 18-20 milhões de toneladas, evoluindo para
21-23 milhões t em 2020.
Além desses, há dois outros projetos de minério de ferro no pipeline, das empresas Bamin e
Sulamericana de Metais, porém ambos ainda não têm definição precisa sobre o horizonte de start up. São
projetos de investimentos elevados. O empreendimento da Bamin, no estado da Bahia, está orçado em
US$ 2,5 bilhões, enquanto o da SAM (em Minas Gerais) tem orçamento previsto em US$ 2,1 bilhões. Em
maio de 2019, a Bamin deu um passo importante em seu empreendimento, com a assinatura, por parte do
seu controlador, o Eurasian Resources Group, de um acordo para unificação dos terminais do Porto Sul, em
Ilhéus, por onde a Bamin deverá embarcar o seu minério de ferro. As obras de construção estão previstas
para ser iniciadas no segundo semestre de 2019 e demandarão investimentos da ordem de US$ 2,5
bilhões. Com isso, o porto terá condições de embarcar até 41,5 milhões de toneladas/ano de minério de
ferro. A capacidade inicial de produção prevista pela Bamin para o seu projeto Pedra de Ferro é de 20
milhões de toneladas/ano.
Quanto ao projeto da Sulamericana de Metais, não se sabe se o controlador, a Honbridge Holdings
Ltd., de Hong Kong, definiu pontos importantes sobre sua implantação. No projeto original estava prevista
a construção de um mineroduto com cerca de 480 km, para levar o minério até o porto de Ilhéus, por onde
seria embarcado.
Outra possibilidade no segmento do minério de ferro é o reinício de operações da Samarco,
paralisada desde novembro de 2015, quando houve o acidente com rompimento de uma barragem de
rejeitos. A perspectiva é que a empresa retome as operações em 2020, ainda com capacidade reduzida. A
Samarco já concluiu as obras da Cava Alegria Sul, no Complexo de Germano, em Mariana (MG), que terá
capacidade para receber 16 milhões de metros cúbicos de rejeitos oriundos do beneficiamento de minério.
No segmento de manganês, a Mineração Buritirama, que iniciou em 2017 uma nova trajetória
empresarial, informa que realizará investimentos da ordem de US$ 100 milhões nos próximos dois anos
para elevar sua capacidade produtiva e melhorar a qualidade de seus produtos. Por meio da holding
Buritipar e da Nexon Mineração, o grupo tem intenção ainda de diversificar sua atuação, incluindo em seu
portfólio outros bens minerais, além de investimentos nas áreas de logística e agronegócio. Entre os
principais projetos da empresa para 2019 está a operação da planta de sinterização na área da mina e
instalação de um laboratório, além da abertura de novas frentes de lavra para extração de minérios de
mais alto teor.
Ouro
Em ouro, o maior projeto que está programado é o Volta Grande, da Belo Sun (grupo Forbes &
Manhattan), para implantação de uma mina no município de Senador José Porfírio, estado do Pará, para o
qual estão previstos investimentos de US$ 380 milhões. A empresa já obteve a Licença de Instalação (LI), o
que lhe daria condições de iniciar a implantação do empreendimento. No entanto, a licença foi
questionada pelo Ministério Público, a Belo Sun decidiu suspender a implantação do projeto e ainda não
tem data para sua retomada. A empresa recorreu da decisão imposta pelo MP, no sentido de que a licença
do empreendimento dependeria do Ibama e não da Semas (Secretaria do Meio Ambiente do Pará) e
conseguiu um parecer favorável em instância superior. Assim, por enquanto o início de implantação do
empreendimento continua indefinido.
A Equinox Gold concluiu recentemente a implantação do projeto Aurizona, no município de
Godofredo Viana, Maranhão, no qual investiu US$ 197 milhões para instalar uma unidade capaz de
produzir 136 mil onças de ouro por ano. Atualmente o empreendimento está em fase de ramp up e
caminhando para sua operação comercial normal.
A Yamana, através de sua controlada Jacobina Mineração decidiu implementar um programa de
ampliação dos níveis de produção com foco nos projetos de expansão da mina e da planta. O programa de
expansão em Jacobina será realizado em duas fases, tendo como objetivo elevar a capacidade de produção
para até 225 mil onças/ano. Na primeira fase, já em desenvolvimento, será feita a otimização da moagem
de minério, permitindo sustentar uma produção de 6.500 toneladas/dia, elevando a produção de metal
para 165/170 mil onças anuais. O investimento, para esta etapa, está previsto em US$ 5 milhões e deverá
ser executado em 2019. Já a fase 2, que ainda se encontra em revisão, envolve a expansão da moagem, de
forma a permitir uma capacidade de processamento de minério entre 8 mil e 8.500 toneladas/dia. Com
isso, a produção de metal deve alcançar 225 mil onças/ano. Nesta fase, os investimentos devem chegar a
US$ 100 milhões.
A Leagold, que adquiriu os ativos da Brio Gold, está retomando o projeto Santa Luz, na Bahia. Em
outubro de 2018 a empresa concluiu uma atualização do estudo de viabilidade o qual mostra ser viável
adicionar 100 mil onças de ouro por ano à capacidade de produção 10 meses a partir do reinício da
construção. A previsão é que a operação aconteça a partir de 2021. A Fase 1 começa com uma pequena
mina a céu aberto para acelerar a geração de fluxo de caixa. No terceiro ano de operação poderá ser
implantada uma mina a céu aberto maior e avaliada a opção para implantação de uma mina subterrânea.
Estão previstas também modificações nas atuais pilhas de rejeitos. Na fase 1 deverão ser lavradas 16,6
milhões de toneladas de minério com teor de 1,45 grama/tonelada, possibilitando uma produção de 697
mil onças de ouro por um período de sete anos. O cash cost previsto é de US$ 704/onça e o AISC de US$
788/onça. Os investimentos previstos são da ordem de US$ 82 milhões.
Outro projeto importante em perspectiva é o da Eldorado Gold, que está revisando o estudo de
viabilidade feito pela subsidiária brasileira Brazauro Recursos Minerais para o projeto de ouro
Tocantinzinho, localizado no estado do Pará. A previsão é que o estudo de viabilidade esteja concluído
ainda em 2019. Em 2019 a empresa planejou investir entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões para a
conclusão do estudo. No empreendimento, localizado em Itaituba (PA), os planos prevêem um
investimento da ordem de US$ 385 milhões). Trata-se de uma mina a céu aberto, que pode produzir a uma
escala de 160 mil onças anuais.
A Amarillo Mineração do Brasil, subsidiária da Amarillo Gold, que já possui a LP (Licença Prévia),
concluiu estudo de pré-viabilidade de acordo com a norma canadense 43.101 para o projeto Mara Rosa,
em Goiás, que prevê o aproveitamento do depósito de Posse. A previsão de investimentos é da ordem de
US$ 123 milhões, mais 17 milhões de capital de operação e a produção prevista é de 144 mil onças anuais
nos primeiros quatro anos e 123 mil onças/ ano nos oito anos de vida útil previsto para a mina. A empresa
está solicitando a Licença de Instalação (LI) e espera poder iniciar o ramp up em 2021. A Amarillo possui
também em seu portfólio o projeto Lavras do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, que ainda se encontra
em estágio de exploração.
A Big River Gold (antiga Crusader) encomendou a revisão do estudo de viabilidade do projeto
Borborema, no município de Currais Novos (RN), o que deve ser concluído até o final de 2019. Em
Borborema existem reservas certificadas de 68,6 milhões de toneladas de minério com teor de 1.1 grama
por toneladas, suficientes para uma produção de 2,4 milhões de onças. A previsão de investimentos é da
ordem de US$ 93 milhões.
A Centrogold, controlada pela OZ Minerals, completou um estudo de pré-viabilidade para o
depósito de Gurupi, o qual demonstra que é possível implantar uma operação a céu aberto com vida útil
de dez anos, com produção entre 100 mil e 120 mil onças de ouro por ano e custo de implantação da
ordem de US$ 155 milhões.
A AngloGold Ashanti está implantando os projetos Pinta Bem, na mina Córrego do Sítio e o
aprofundamento da Mina Cuiabá, ambos em Minas Gerais. O primeiro visa atender o plano de produção
de Córrego do Sítio de 2019 a 2023 e deverá ser concluído até 2021, com investimentos da ordem de R$
3,7 milhões, enquanto o segundo tem por objetivo garantir a expansão da operação no longo prazo da
Mina Cuiabá. Estão previstos investimentos em furos longos de exploração que viabilizem o aumento de
recursos em maior profundidade, implantação do modal de transporte e nova planta de refrigeração para
assegurar condições ambientais de operação nos níveis mais profundos. A conclusão deste último projeto
está prevista para 2026. O total de investimentos da empresa previstos para 2019 é de US$ 158 milhões,
principalmente no desenvolvimento de minas, exploração, equipamentos e infraestrutura das minas.

Cobre, zinco e níquel
O segmento de cobre é outro que apresenta boas perspectivas de crescimento no Brasil, com
investimentos já definidos de aproximadamente US$ 1,7 bilhão e outros em perspectiva, tendo em vista os
trabalhos de exploração que estão sendo realizados, principalmente nos estados da Bahia e Mato
Grosso/Pará. Na Bahia, a Mineração Caraíba está fazendo importantes descobertas no Vale do Curaçá,
enquanto no Mato Grosso/Pará existem as ocorrências de pórfiros na região de Alta Floresta, que já
indicaram bom potencial. Especialistas defendem que esta poderá ser uma nova fronteira mineral do
Brasil, com elevado potencial de produção de cobre e minerais associados.
Pelo lado dos empreendimentos, a Vale pretende aumentar a sua capacidade de produção do
metal, no qual está apostando fortemente, juntamente com o níquel. As previsões indicam que a produção
de cobre da empresa poderá chegar a um nível de 500 mil toneladas/ano em 2023, sendo que já para 2019
o nível de produção está estimado em 417 mil toneladas. Este aumento de produção será possibilitado
principalmente pela implantação de três novos projetos: Salobo III, Cristalino e Alemão. Salobo III, que
deverá adicionar à capacidade atual entre 30 e 40 mil toneladas de cobre contido em concentrado, deve
iniciar produção em 2022 e para ele está previsto um capex líquido, a ser desembolsado pela Vale, entre
US$ 400 milhões e US$ 500 milhões. No total, porém, o projeto custará US$ 1,1 bilhão. A diferença será
coberta com os recursos financeiros que a Vale receberá da Wheaton Precious Metals, com quem tem
contrato de venda antecipada de ouro. A empresa brasileira receberá um bônus variável entre US$ 600
milhões e US$ 700 milhões depois que atingir determinadas metas de produção.
Já o projeto Cristalino, com capacidade de 80 mil toneladas/ano, está previsto para entrar em
operação a partir de 2023 e, segundo a Vale, vai permitir manter a usina de Sossego operando a plena
capacidade.
O projeto Alemão, por sua vez, deve ter uma capacidade entre 60 mil e 70 mil toneladas/ano de
concentrado de cobre com alto teor de ouro. O start up está previsto para 2024 e a Vale ainda não informa
o valor dos investimentos para estes dois empreendimentos.
A Mineração Caraíba, controlada pela Ero Copper, tem em seu portfólio o projeto Boa Esperança,
no estado do Pará, para o qual foram estimados, no primeiro estudo de viabilidade, investimentos da
ordem de US$ 160 milhões. A estimativa de produção é da ordem de 163 mil toneladas/ano de cobre
contido em concentrado. Atualmente a Ero Copper está realizando uma atualização do estudo de
viabilidade para o empreendimento. A empresa também colocou em operação a mina de Vermelhos, na
Bahia, e está desenvolvendo um amplo programa de exploração no Vale do Curacá, com investimentos da
ordem de US$ 20 milhões.
A Avanco OZ, através da AVB (Avanco do Brasil) deve decidir ainda este ano sobre a implantação do
projeto Pedra Branca, que é dividida em zonas Oeste e Leste e que está localizada na região de Carajás, no
estado do Pará. Esta será a primeira mina subterrânea a ser implantada na região de Carajás. A previsão é
de uma capacidade de produção de até 1,2 milhão t/ano de minério, a ser processado na atual instalação
de Antas. O empreendimento deve operar em 2021.
Em zinco, a Nexa Resources iniciou a implantação do projeto Aripuanã, no Mato Grosso, que
compreende a instalação de uma mina subterrânea para extração de zinco polimetálico e uma planta de
processamento para realizar a concentração de zinco, cobre, prata e ouro, no estado de Mato Grosso. A
produção de zinco deverá ser de aproximadamente 120 mil toneladas/ano, por um período de 13 anos,
considerando-se apenas as reservas provadas e prováveis, estimadas em 26,2 milhões de toneladas. A
planta deve processar 6.300 toneladas/dia de minério. As estimativas são de que Aripuanã produza 66,7
mil toneladas de zinco em concentrado, 23 mil toneladas de chumbo, 3.700 toneladas de cobre, 1,87
milhão de onças de prata e 13 mil onças de ouro. Pelas previsões, o projeto deve iniciar operação em 2021
e vai requerer um investimento de aproximadamente US$ 392 milhões.
Em níquel, a Horizonte Minerals concluiu o estudo de viabilidade para o projeto Araguaia, que visa
à produção de ferroníquel no estado do Pará, com capacidade inicial de 14.500 toneladas/ano de níquel
contido em ferroníquel, podendo evoluir para até 29 mil toneladas/ano. Para o empreendimento estão
previstos investimentos de US$ 443 milhões. Em janeiro de 2019, a empresa obteve a Licença de Instalação
(LI), o que lhe dá condições de iniciar a construção do empreendimento. A licença incluem permissão para
construir o forno rotativo elétrico, a planta de processamento e a infraestrutura necessária.
Fertilizantes
No segmento de fertilizantes, a CMOC pretende investir US$ 300 milhões para ampliar sua
capacidade de produção de fosfato no estado de Goiás e os recursos serão aplicados principalmente numa
planta de beneficiamento, para aumentar a capacidade de produção de fertilizantes fosfatados.
A Mosaic, que adquiriu os ativos da Vale na área de fertilizantes, deve implantar o projeto
Patrocínio, em Minas Gerais, que demanda investimentos de US$ 270 milhões e envolve a abertura de uma
mina com capacidade para produzir 6,5 milhões t/ano de rocha fosfática, a serem beneficiadas nas
instalações que a empresa possui em Araxá (MG).
Em potássio, os dois projetos que existem planejados, o da Potássio do Brasil em Autazes (AM) e o
Carnalita, da Mosaic (herdado da Vale), em Sergipe, não têm ainda um horizonte preciso de quando
poderão iniciar operações. O empreendimento da Potássio do Brasil, orçado em cerca de US$ 1 bilhão,
ainda enfrenta dificuldades relacionadas com o licenciamento ambiental. Já o projeto Carnalita, para o
qual a Vale tinha um orçamento da ordem de US$ 1,8 bilhão, agora depende das prioridades da Mosaic,
que prometeu às autoridades locais retomar o projeto. Assim, tudo indica que pelo menos nos próximos
três anos a dependência brasileira de importações de potássio não só vai continuar como também
aumentar, em função da redução da oferta interna que era proporcionada por Taquari-Vassouras.
Minerais do futuro
Os chamados minerais do futuro também estão gerando novos investimentos no Brasil. Em terras
raras, a Mineração Serra Verde planeja produzir, a partir de 2021, cerca de 5% de toda a produção mundial
de terras raras pesadas. Para seu desenvolvimento, até o início da produção, estão previstos investimentos
de US$ 150 milhões, além dos US$ 72 milhões já investidos em pesquisa mineral, estudos ambientais e
desenvolvimento do processo. O depósito da Serra Verde, localizado em Minaçu (GO), tem recursos de
mais de 1,3 bilhão de toneladas de minério com teor médio de 0,15% de óxido de terras raras totais (TREO)
dos quais 911 milhões de toneladas estão certificadas segundo as normas internacionalmente aceitas.
Em lítio a AMG Mineração, que em maio de 2018 inaugurou uma planta de Concentração de
Espodumênio, com capacidade de produção de 90 mil toneladas anuais de concentrado, avalia uma nova
etapa do seu projeto, que inclui a construção de uma segunda planta, que vai expandir a produção para
180 mil toneladas de concentrado a partir de 2020. Para a duplicação da Planta de Espodumênio, a AMG
Mineração investirá cerca de US$ 140 milhões. Com o empreendimento, a empresa tornou-se a maior
produtora de lítio do País.
Já a Sigma Lithium, por meio da Sigma Mineração, planeja colocar em operação, em 2019, um
empreendimento com capacidade para produzir 220 mil t de concentrado de espodumênio, sendo que a
escala de produção prevista deve ser alcançada em 2020. A empresa possui reservas de 13,5 milhões de
toneladas de minério com teor de 1,56% de óxido de lítio na mina denominada Xuxa, localizada nos
municípios de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. A Sigma já adquiriu uma planta
piloto para avançar com os testes metalúrgicos e de produto, instalada em Araçuaí. Os investimentos
previstos para o empreendimento são da ordem de US$ 65 milhões.
Em nióbio, a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) deverá expandir sua
capacidade de produção de ferronióbio para 150 mil toneladas até 2020, o que significaria um aumento de
50% em relação à produção obtida em 2018, que foi da ordem de 100 mil toneladas. Já em 2019 a previsão
é que a produção chegue a 120 mil toneladas.
O programa de expansão da capacidade prevê investimentos de cerca de US$ 200 milhões,
incluindo aumento da capacidade das instalações industriais e ações de marketing e vendas para expandir
o mercado de nióbio.
Dentre as ações que visam à expansão de mercado está a aliança firmada com a Toshiba e Sojitz
Corporation para desenvolvimento de baterias de lítio com anodos mistos de nióbio e titânio. Estão
previstos investimentos de US$ 7,2 milhões para a construção de uma linha piloto de produção para uma
nova geração de baterias que se caracterizam pela alta densidade energética e recarga rápida.
Vanádio
A Largo Resources anunciou que pretende ampliar a capacidade de produção na Mina Maracás
Menchen, a partir da taxa nominal de aproximadamente 800 toneladas por mês de pentóxido de vanádio
para 1.000 toneladas por mês, o que corresponde a um aumento de 25% sobre a capacidade nominal.
A expectativa da empresa é que a maior taxa de produção na Mina Maracás Menchen resulte na
produção de mais 200 toneladas de V2O5 por mês a partir de junho de 2019. Os investimentos para
ampliação devem totalizar aproximadamente US$ 15,5 milhões.
Segundo a empresa, o plano de expansão se concentra no aumento da capacidade de produção das
áreas de moagem, fusão, lixiviação e filtragem. A direção da Largo Resources acredita que a capacidade
total de produção poderia ser aumentada em mais 100 toneladas por mês, para um total agregado de
1.100 toneladas de V2O5 por mês, se certas outras atualizações e melhorias forem feitas no forno
refratário. A empresa encomendou estudos para avaliar esta oportunidade.
Diamantes
Em diamantes, a DM Mineração anunciou a implantação de lavra no município de Gilbués, no
extremo sul piauiense. A expectativa é que sejam extraídos cerca de 10 mil quilates de pedras mensais e a
empresa informa ter investido US$ 25 milhões no empreendimento.

Fonte: Brasil Mineral
Autor: Francisco Alves
Data: nº 392 – Julho de 2019

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