MINERODUTO DA ANGLO VAZA E MINÉRIO ATINGE RIO

Uma tubulação do mineroduto Minas-Rio, da mineradora Anglo American,
se rompeu ontem no município de Santo Antônio do Grama (MG), espalhando 300
toneladas de uma mistura de minério de ferro e água pelo ribeirão que abastece a
cidade. A empresa disse que o material não é tóxico.
Mesmo assim, o fornecimento de água à população foi cortado e à noite
ainda não havia sido restabelecido, segundo a Defesa Civil. A empresa enviou 14
caminhões pipa para a cidade.
Santo Antônio do Grama, de 4.070 habitantes, é abastecida pela Companhia
de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que capta água do Ribeirão Santo Antônio.
O rompimento não deixou vítimas. Mas afetou a rotina de agricultores e de
quem cria gado na região. Eles tiveram de ficar sem o abastecimento normal de água,
segundo Gilvan de Assis, coordenador da Defesa Civil do município.
Houve apreensão entre moradores que logo de manhã viram o ribeirão
tingido a de uma cor avermelhada por causa do vazamento.
A Anglo American disse que o material que vazou do mineroduto é a
chamada polpa de minério. “A polpa consiste em 70% de minério de ferro e 30% de
água, sendo classificada pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), como resíduo não perigoso”, afirmou a empresa por meio de nota no início da
tarde.
À noite, a Secretaria de Meio Ambiente informou que a Anglo American
estava monitorando a qualidade da água em dez pontos do Ribeirão Santo Antônio até
o Rio Casca – que fica abaixo do ponto de captação da Copasa.
“Também está sendo realizado o acompanhamento dos sedimentos em 30
pontos no ribeirão Santo Antônio. Foram colocadas barreiras no ribeirão Santo Antônio
a fim de conter o material que está depositado no curso d’água”, disse a secretaria.
O rompimento ocorreu às 7h42, segundo a empresa. E a partir das 8h30 a
mineradora passou a bombear só água no mineroduto. A Anglo não informou o que
causou o rompimento.
“A Anglo American irá drenar cerca de 1.600 toneladas que ainda estão na
tubulação. Para não atingir nenhum curso d’água local na retirada desse material, a
empresa irá construir uma bacia para contenção do material. A previsão é de que a
construção dessa estrutura seja feita em no máximo 10 horas”, informou a Anglo
American.
O Minas-Rio começou a operar em 2014. Transporta minério de ferro que a
Anglo American produz em Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro (MG) até o
porto de São João da Barra (RJ). A mineradora está em fase de licenciamento para
expandir sua capacidade de produção, que chegará a 26,5 milhões de toneladas de
minério por ano.
O Ministério Público de Minas de Gerais enviou uma equipe que atua em
casos de crimes ambientais para Santo Antônio do Grama. O objetivo é apurar as causas
e extensão dos danos, informou o MP, por meio de nota.
O MP falou em tomar medidas que garantam reparação e responsabilização
dos responsáveis.
O rompimento no Minas-Rio é o terceiro em menos de três anos envolvendo
grandes empreendimentos mineradores. Em novembro de 2015, uma barragem de
rejeito de minério de ferro da Samarco – mineradora da Vale e da BHP Billiton – se
rompeu em Mariana (MG), matando 19 pessoas. Em fevereiro o Ibama multou a Hydro
Alunorte, refinaria de alumina da Norsk Hydro, depois um laudo oficial ter detectado
contaminantes na água e no solo perto do empreendimento em Barcarena (PA). A Norsk
admitiu que, sem as licenças devidas, a refinaria liberou água de chuva que pode ter tido
traços de bauxita e soda cáustica. A água chegou ao rio Pará.
Fonte: Valor
Autor: Marcos de Moura e Souza
Data: 13/03/2018

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