MINÉRIO DE FERRO DESAFIA MERCADO E PASSA DE US$ 65

Após conseguir se sustentar em patamares mais elevados do que o mercado
esperava nas últimas semanas, o minério de ferro ganhou fôlego renovado. Os preços
do produto com teor médio de 62% de ferro entre no porto chinês de Qingdao subiram
4,27% ontem e fecharam em US$ 65,17 a tonelada, segundo o índice da “Metal Bulletin”.
Esse é o maior valor da commodity desde 21 de setembro e já representa
valorização de 11,36% durante este mês. No ano, contudo, a queda ainda é de 17,37%.
Como em outubro houve recuo de 5,7%, a cotação média do quarto trimestre até agora
continua baixa, em US$ 61,76 – 13,5% abaixo do terceiro trimestre e queda de 12,4% em
comparação anual.
Para a consultoria Capital Economics, os preços ainda devem cair nos
próximos meses, pressionados não apenas pelo enfraquecimento da construção civil e
pela desaceleração da economia na China, como também pelas paradas programadas
na produção siderúrgica do país asiático.
Os fechamentos de produção – a pedido do governo por questões
ambientais – vão remover cerca de 30 milhões de toneladas de produção de aço do
mercado, 3% da produção chinesa anual, com produtores de aço menores e menos
eficientes provavelmente mais afetados, aponta.
Ontem, a Worldsteel Association, que acompanha o mercado siderúrgico em
66 países, informou que a produção continuou forte na China em outubro mesmo com
as paradas. Foram 72,4 milhões de toneladas, 6,1% a mais do que no mesmo período do
ano passado.
“No papel, a produção já deveria começar a cair substancialmente nos
próximos meses. Mas como os preços do aço seguem elevados, acreditamos que as
produtoras chinesas que não foram fechadas estão acelerando sua operação para
conseguir se aproveitar [das boas margens]”, diz a Capital Economics.
A consultoria lembra que o recuo na cotação do minério já era esperado
mesmo sem as paradas, por conta das restrições do setor de construção chinês, devido
ao aumento de dificuldade na oferta de crédito. “Pensamos que já existem sinais claros
de que a economia chinesa está desacelerando e os níveis atuais de demanda e
produção de aço provavelmente não serão mantidos, mesmo sem a influência do
governo.”
Fonte: Valor
Autor: Rodrigo Rocha e Renato Rostás
Data: 23/11/2017

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