MINERADORA INVESTE POUCO EM INOVAÇÃO TRANSFORMADORA

As mineradoras da América Latina continuam concentrando a maior parte
dos esforços em inovação em resultados de curto prazo ao invés de investir mais em
iniciativas que garantam retornos sustentáveis em um horizonte mais longo de tempo,
segundo mostra uma pesquisa da consultoria Deloitte realizada com 17 empresas do
setor em seis países da região. Apesar do diagnóstico, as mineradoras latino-americanas
demonstram interesse em se engajar mais em iniciativas de inovação incremental, que
garantam ganhos em termos de mercados e de produtos, e também em fazer mais
investimentos considerados “transformacionais” para o setor.
A pesquisa, intitulada de “Inovação em mineração – América Latina 2017”
inclui grandes mineradoras e empresas de menor porte, as chamadas “juniors”, além de
fornecedores do setor, na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. O trabalho,
feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ouviu 17 companhias
do setor e buscou comparar iniciativas de inovação na América Latina com o resto do
mundo.
Na pesquisa, a inovação é vista de forma ampla, envolvendo diversos
aspectos das atividades das empresas, desde a forma como produzem até as relações
com as comunidades e com outros públicos de interesse.
“Inovação tecnológica é apenas uma das formas de inovar na mineração”,
diz André Joffily, sócio-líder da Deloitte para o setor no Brasil. “Quando você vai falar
com o presidente de uma empresa [da indústria mineral], ele vai falar como inova no
uso da água e na relação com as comunidades, por exemplo, daí a importância de ter
uma visão multifacetada da inovação”, afirmou Joffily.
O trabalho da Deloitte apresenta dez tipos de inovação na área mineral. “As
empresas que se beneficiam mais da inovação são aquelas que conseguem perpassar
um volume maior desses dez tipos de inovação”, disse Joffily. A lista inclui o modelo de
rentabilidade, rede de conexões para criar valor ao negócio, a estrutura e os processos
da empresa, a performance e o sistema de produção, os serviços e os canais de mercado,
a marca e a relação com públicos de interesse e os clientes. De acordo com o executivo,
a empresa começa a se diferenciar dos concorrentes pela forma como se envolve com
as comunidades, como levanta recursos financeiros no mercado e como torna a sua
operação logística mais eficiente.
Na pesquisa, as empresas disseram que, em média, 65% de seus
investimentos em inovação são para o chamado “core”, que inclui iniciativas para
otimizar ativos, produtos e serviços existentes. E somente 14% dos investimentos, em
média, são voltados para a inovação “transformacional”, aquela que representa uma
quebra de paradigma e que traz invenções novas para a indústria do setor. Joffily disse,
porém, que como meta as empresas demonstram interesse de ampliar de 14% para 23%
o investimento em inovação “transformacional” na mineração na região. Na América
Latina, as mineradoras “juniors” se mostram mais propensas do que as grandes
companhias a investir em nesse tipo de inovação.
No caso do Brasil, Joffily entende que o país segue na “superfície” da adoção
da inovação transformadora no setor mineral. “Soluções tecnológicas e estruturais
seguem sendo incorporadas pontualmente.” O corte de custos e a redução de margens
conduzidos pelas mineradoras, em cenário de redução de preços, limitaram a
capacidade de inovar nos últimos anos. “Mas se o modelo atual não for repensado, a
sustentabilidade de vastas porções desse mercado estará ameaçada”, disse Joffily.
Walter Alvarenga, diretor-presidente do Ibram, disse que é necessário que
o Brasil compreenda melhor a importância do setor mineral e que estimule as inovações
por meio de apoios “consistentes” com a futura trajetória da política mineral brasileira.
“As empresas industriais precisam compreender que a inovação pode ajudar a otimizar
e a desburocratizar processos, além de reduzir custos futuros”, afirmou. Ele negou que
a inovação seja só estimulada pelos preços: “Outras questões também impulsionam o
investimento [em inovação] como o relacionamento com a comunidade, governança e,
principalmente, um planejamento estratégico governamental de apoio às políticas de
inovação ao setor, de forma que mostre uma rota a seguir, do que o país necessita
naquele momento.”
Fonte: Valor
Autor: Francisco Góes
Data: 24/01/2018

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