LAUDO APONTA CONTAMINAÇÃO DA ALUNORTE NO PA

A confirmação pela perícia do Instituto Evandro Chagas de que houve, sim,
transbordo das bacias de rejeitos da Alunorte, fabricante de alumina da norueguesa
Norsk Hydro em Barcarena (PA), com contaminação do meio ambiente, pegou o governo
do Pará de surpresa ontem.
A confirmação pela perícia do Instituto Evandro Chagas de que houve, sim,
transbordo das bacias de rejeitos da Alunorte, fabricante de alumina da norueguesa
Norsk Hydro em Barcarena (PA), com contaminação do meio ambiente, pegou o governo
do Pará de surpresa ontem.
O ocorrido dividiu o instituto, ligado ao Ministério da Saúde, e áreas do
governo paraense. Mas o coordenador da perícia, Marcelo de Oliveira Lima, foi taxativo
ao apresentar os riscos que os resíduos poderiam trazer à saúde da população na região.
Segundo o laudo, foram detectados contaminantes nas comunidades de
Bom Futuro e Vila Nova. Há a possibilidade também de contaminação em Burajuba.
Em entrevista ontem, Lima foi duro nas críticas. “Ao contrário do que a
empresa diz, as bacias transbordaram, sim, porque não suportaram as chuvas”, disse o
especialista. “Apesar de ela dizer que teria como tratar tudo, eram efluentes demais
para sua capacidade.”
A análise das águas que tomaram a área da própria empresa mostraram
presença alta de sódio e alcalinidade elevada, fruto do uso da soda cáustica, aplicada no
beneficiamento da bauxita. Resultado semelhante foi constatado em tubo de
lançamento chamado de “clandestino” pelo especialista e na comunidade de Bom
Futuro. O nível de alumínio e metais tóxicos como o cromo e o chumbo também
surpreenderam, disse.
“A previsão é que as chuvas só aumentem e a empresa está com o
transbordo de efluentes ultrapassando o limite”, afirmou Lima. “Há comunidades em
risco hoje. Não sabemos o que pode ocorrer com intensificação das chuvas e recebemos
denúncias de que ainda há transbordo.”
A sugestão é que, ao menos até a diminuição das chuvas, a população local
receba água potável de outras origens que não poços artesianos, como ocorre
atualmente. Também seria necessário, declarou Lima, um plano de emergência para
avaliar a qualidade das águas com alertas constantes.
O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará
(MPPA) devem se pronunciar hoje. Procurada, a Hydro disse que “irá analisar o material
para se pronunciar”. Em entrevista ao Valor na segunda-feira, a companhia garantiu que
a capacidade das bacias havia sido suficiente e que investiu R$ 1 bilhão para implantar
um novo e melhor sistema de contenção no ano passado.
Fonte: Valor Econômico
Autor(es): Renato Rostás
Data: 23/02/2018

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