JUSTA CAUSA

Na semana passada, mais alguns servidores do antigo DNPM, nossa atual ANM,
Agência Nacional de Mineração, foram parar no xilindró. Não foi a primeira vez, nem
será a última. Entre os três, um quase novato, o superintendente da ANM no Amapá,
Thiago Regis da Justa Ribeiro
Como mostra o nome do futuro ex-servidor, ele é sobrinho do ex-deputado
federal Antônio da Justa Feijão, que também foi superintendente do DNPM no mesmo
Estado, de 2012 a 2014, e que também teve prisão preventiva decretada e executada
na semana passada, diz um colunista local, Seles Nafes, assim que a prisão aconteceu.
Apesar do influente tio, envolvido com concessões fraudulentas de direitos
minerários para cooperativas, a indicação de Thiago foi atribuída, pela imprensa local, à
deputada federal Josi Araújo (Pode-AP), atual presidente da Federação das Indústrias do
Estado do Amapá (Fieap), uma gestão que também virou caso de polícia, mas essa é
outra história.
Contudo, outro colunista local, Ney Pantaleão, tuitou na semana passada
que ela nega o apadrinhamento e o atribui ao jovem senador Davi Alcolumbre (DEMAP),
de 40 anos. O colunista diz ainda que o senador tem ligações com Antônio Feijão,
mas que pessoas próximas a Davi dizem que ele, vice-líder do governo no Senado, nada
tem a ver com a indicação do Thiago.
A nomeação do Thiago, que agora não tem mais padrinho algum, estava
fadada ao fracasso. Ou ele é um sábio ou um mal-sucedido concurseiro, basta encontrar
o seu nome em concursos como Banco do Brasil (Belém, 2015), Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (Natal, 2016) e Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(Brasília, 2017). Detalhe, todos para análise de sistemas e informática, nenhum a ver
com mineração, administração ou meio ambiente, afinal ele era “assessor do Imap”.
Mas, se ele tentava concurso, em março de 2017 para a EBSH, como, sete
meses depois, foi nomeado superintendente do DNPM?
Suponho que o chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia, saiba.
Afinal foi ele quem o nomeou, por meio de portaria no dia 9 de novembro do ano
passado. Ou seja, assim que o Romero César Peixoto, o antecessor do Thiago foi preso,
na Operação Minamata. Note-se que, desde outubro do ano passado, é esse chefe de
gabinete que nomeia, exonera etc. Uma coisa pra lá de esquisita, que deixa o diretorgeral
do DNPM trabalhando com pessoas de cuja escolha não participou. O que, nesse
caso, foi bom para diretor-geral.
A conclusão é que o cargo de superintendente do DNPM no Amapá, ou chefe
da ANM (ninguém mais sabe ao certo), é um cargo de alta periculosidade. Mas o
administrador Thiago Regis, dublê de concurseiro e sobrinho, não é o único. Como já foi
relatado aqui mesmo no NMB, as superintendências do DNPM, que em priscas eras
foram ocupadas por geólogos e engenheiros do órgão, estão lotadas com pessoas
indicadas por políticos a alheias aos assuntos minerais. E a sucessora da ANM, que mal
nasceu, já vem, como dizem os especialistas em agências, “capturada”.
E não vamos olvidar a quase esquecida Operação Timóteo, cujos resultados,
além da exoneração do diretor Procedimentos Arrecadatórios do Departamento
Nacional de Produção Mineral (DNPM), Marco Antônio Valadares Moreira, foram nulos.
Como dizem os filósofos baianos Bieco, Cau Lima e Cissinho “pau que nasce
torto, nunca se endireita, menina que requebra, a mãe pega na cabeça”, canção que fez
sucesso com o esquecido É o Tchan!
Fonte: Notícias de Mineração
Data: 19/02/2018

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