FUTURO DA MINERAÇÃO DEPENDE DA ESTABILIDADE POLÍTICA, DIZ HÉLIO DINIZ

O futuro da mineração depende da solução da instabilidade política. A
afirmação é de Hélio Diniz, gerente geral da Potássio do Brasil. Segundo o executivo, o
ambiente de instabilidade e insegurança política posterga o desenvolvimento de
projetos no setor, que necessitam de investimentos grandiosos.
“A economia igualmente precisa de uma definição clara do modelo de
desenvolvimento a ser adotado após a próxima eleição. Infelizmente, os cenários que
se apresentam como os mais prováveis, ou seja, os candidatos com maiores chances
hoje não têm compromisso firme com uma maior participação da iniciativa privada no
setor mineral. Se confirmada a visão estatizante destes, podemos esperar um retrocesso
com possíveis intervenções nas regras do setor já suficientemente fragilizadas na última
década”, declara, em entrevista por e-mail à Associação Brasileira de Empresas de
Pesquisa Mineral (ABPM).
Para ele, o principal desafio enfrentado hoje pela mineração, no Brasil, se
refere à mudança da percepção de que mineração resulta principalmente em
degradação ambiental e social. “Infelizmente o acidente de Mariana trouxe uma nova
dimensão para este desafio. Vários projetos estão sendo suspensos ou atrasados por
excesso de zelo injustificável. Todos, sem exceção estão sendo conduzidos no mais alto
padrão de gerenciamento ambiental e social e o prejuízo deste momento de indecisão
é da sociedade como um todo”, diz.
Por outro lado, segundo Diniz, a imagem negativa do setor, gerada após o
rompimento da barragem de Fundão, da Samarco em Mariana, talvez seja uma
oportunidade para unir o setor e definir uma estratégia conjunta para encarar esta nova
realidade.
“Apesar do caráter notavelmente sustentável da atividade mineral, fizemos
muito pouco no sentido de informar e esclarecer a sociedade de maneira geral. As
empresas precisam investir na divulgação dos benefícios e programas de
sustentabilidade de grande repercussão social bancados pela mineração”, declara o
gerente geral da Potássio do Brasil.
Sobre o Programa de Revitalização da Indústria Mineral Brasileira, Diniz
afirma que participou ativamente, por meio da ABPM, das discussões que resultaram no
programa proposto. O aumento da Compensação Financeira pela Exploração de
Recursos Minerais (CFEM), resultante da alteração da base de cálculo, é destacado por
ele como um ponto negativo.
“Infelizmente a percepção do legislador e do executivo em todos os níveis é
de que as empresas ganham sempre e precisam transferir mais para a sociedade. O
tempo dirá se esta avaliação está correta ou poderá produzir resultados inversos ao
esperado”, afirma.
Já a alteração no processo de disponibilidade de áreas para pesquisa e
substituição dos critérios subjetivos e poucos transparentes pelo leilão eletrônico são
pontos positivos. “Se aprovadas, as medidas poderão realmente incentivar novos
investimentos no setor”, diz.
Prêmio Personalidades do Ano do Setor Mineral
Diniz foi eleito Personalidade do Ano no Setor Mineral na categoria Minerais
industriais e fertilizantes. Realizada pela revista Brasil Mineral, a iniciativa visa
reconhecer os profissionais que se destacaram em distintas áreas da atividade.
“Primeiramente é uma honra ser escolhido pelos colegas do setor. O
reconhecimento do nosso trabalho e de todos os profissionais que atuaram nas equipes
que liderei traz uma satisfação pessoal enorme”, declara.
Para ele, a escolha reflete a valorização do empreendedorismo no setor
mineral. “Outros colegas escolhidos este ano tem perfil semelhante onde persistência,
consistência, coerência e competência são premissas para a obtenção de resultados
expressivos. Credibilidade é condição fundamental para atrair investimentos numa
atividade sabidamente de alto risco. A grande maioria das descobertas de novos
depósitos de qualquer bem mineral são feitas pelos grupos empresariais com este
perfil”, diz.
Sobre Hélio Diniz
Hélio Diniz é geólogo graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) em 1980. Começou sua carreira neste mesmo ano no Grupo Sul-Africano
Gencor (Unamgen), onde fez parte da equipe de avaliação e desenvolvimento da Mina
de Ouro de São Bento, que operou por 25 anos desde a sua implantação. Ainda pela
Unamgem, participou da descoberta de depósitos de Platina no Ceará.
Com a aquisição da Unamgem pela Eldorado, atuou nos projetos de pesquisa
do grupo até 1999, quando ingressou no Grupo Noranda-Falconbridge, sendo
responsável pelos projetos pesquisa do grupo no Brasil. Na Noranda, lideramos as
equipes que realizaram descoberta de jazida de cobre-ouro em Carajás, que está sendo
atualmente desenvolvida pela Avanco e do depósito de níquel laterítico do Araguaia.
O executivo ingressou no Grupo Forbes & Manhattan em 2007, sendo
responsável pelos empreendimentos e investimentos do Grupo no Brasil, dentre os
quais estão as empresas Potássio do Brasil, Belo Sun Mineração, Irati Energia e Águia
Metais. Ele lidera equipes de alto nível técnico cujos trabalhos de pesquisa mineral
resultaram na descoberta/avaliação de importantes jazidas tais como a de Volta Grande
(ouro) no Pará, Três Estradas (fosfato) no Rio Grande do Sul, e Autazes (potássio) no
Amazonas.
Fonte: ABPM
Data: 03/11/2017

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