FALTA DE PELOTAS DA VALE PREOCUPA SIDERÚRGICAS

O desastre da Vale em Brumadinho (MG), com o rompimento da barragem da Mina Córrego do
Feijão, já traz prejuízos para a indústria siderúrgica brasileira. Isso porque, com a parada de produção de
mais de 10 minas em Minas Gerais, a mineradora não consegue abastecer com minério de ferro as
pelotizadoras do Estado e com isso, as siderúrgicas, localizadas na região Sudeste, ficam sem o fornecimento
de pelotas. Somente Fábrica e Vargem Grande, pelotizadoras da Vale, juntas deixam de suprir 11 milhões de
toneladas de pelotas, em volume anualizado.
A Vale até tentou minimizar o problema trazendo pelotas do São Luís (MA) para os clientes que eram
abastecidos pelas pelotizadoras de Minas Gerais, mas a alta no custo e a falta de logística especializada para
o desembarque do material fizeram com que a operação não fosse tão eficiente. O adicional de frete que as
siderúrgicas terão de pagar é estimado entre US$ 20 e US$ 30 a tonelada de São Luís a portos em Vitória (ES)
e Itaguaí (RJ), conforme o Valor publicou em março.
Segundo o Valor apurou, a única usina que tem condições de receber as pelotas do Maranhão é a
Ternium, em Tubarão (ES). Isso porque ela teria feito uma adaptação das esteiras transportadoras que
recebiam carvão para movimentar as pelotas vindas de São Luís. As outras ainda têm estoque para abastecer
os seus alto-fornos.
“Acredito que, se nada for feito, em 30 dias as siderúrgicas começam a sentir essa parada das minas.
E isso pode implicar no desligamento de alto-fornos”, disse o presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello
Lopes.
As empresas siderúrgicas adquirem da Vale cerca de 15 milhões de toneladas de minério de ferro
(50% da demanda total) e 11 milhões de toneladas de pelotas (92% da demanda).
O desabastecimento de minério de ferro já atinge algumas usinas de ferro-gusa. Como noticiou o
Valor, a CBF Indústria de Gusa, uma empresa do grupo Ferroeste, paralisou um dos dois alto-fornos que
mantém em sua fábrica no município de João Neiva (ES). A Vale fornece 45 mil toneladas por mês para a
CBF. “Isso nos fez desligar um dos nossos alto-fornos. Deixaremos de produzir mais ou menos 40% de nossa
capacidade, que é de 22 mil toneladas de gusa por mês”, disse um executivo da Ferroeste.
Diante do cenário, o Aço Brasil reivindicou junto ao governo federal uma força-tarefa com
incumbência de definir prioridades e implementar ações acerca das barragens de rejeitos em todo o país.
“Os órgãos envolvidos no processo tomaram uma série de medidas com alto grau de emocionalidade. Foram
fechadas minas que não apresentavam risco. Claro que segurança é prioridade absoluta, mas temos que
avaliar todas as consequências dessas decisões”, disse Mello Lopes, do Instituto Aço Brasil.
O dirigente ressaltou ainda que várias licenças de estabilidade das barragens estão para vencer nas
minas da Vale em Minas Gerais. “Com esse clima, agrava a situação. O que sugerimos ao governo é que se
contrate uma empresa internacional para aferir a estabilidade e assim liberar as operações das minas. O
risco de desabastecimento da cadeia do aço é real”, afirmou.
Fonte: Valor
Autor: Ana Paula Machado
Data: 15/04/2019

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