FALHA EM SOLDA CAUSOU VAZAMENTOS EM MINERODUTO DA ANGLO AMERICAN

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
(Semad) informou, na manhã deste sábado (31), que os dois vazamentos no mineroduto
Minas-Rio, da Anglo American, foram provocados por uma falha na solda de partes da
estrutura e que os dois tubos que se romperam são do mesmo lote. Procurada pelo G1,
a mineradora confirmou a causa dos incidentes e disse que, agora, será investigado o
que gerou as falhas.
O segundo vazamento aconteceu na última quinta-feira (29), menos de 20
dias após o primeiro. Desta vez, cerca de 650 toneladas de polpa de minério – uma
mistura de minério e água – foram liberadas e atingiram uma fazenda, além do Ribeirão
Santo Antônio. O abastecimento de água não foi prejudicado porque a captação já
estava sendo feita em outro ribeirão.
Segundo a Anglo American, o tubo em que houve o segundo vazamento foi
inspecionado antes da retomada do funcionamento do mineroduto. Entretanto, de
acordo com a empresa, não foi verificado nenhum indício de problema.
De acordo com a Semad, duas vistorias foram feitas por técnicos do Núcleo
de Emergência Ambiental (NEA) nesta sexta-feira (30) e nesta manhã. A equipe
constatou que a distância entre os dois pontos de vazamento é de cerca de 220 metros.
Inicialmente, a empresa havia informado que os locais estavam cerca de 400 metros
distantes.
Durante a vistoria, os técnicos da Semad também percorreram a extensão
do Ribeirão Santo Antônio do Grama até a foz com o Rio Casca e constataram que havia
depósito de minério em diversos trechos do ribeirão, que foi tingido por uma coloração
avermelhada.
Ainda de acordo com a secretaria, a Anglo American deverá cumprir uma
série de medidas ambientais:

 Fazer um laudo com descrição dos danos provocados em decorrência do
acidente (em 48 horas).
 Encaminhar um relatório das causas prováveis do acidente (em 5 dias úteis).
 Elaborar um relatório das medidas tomadas pela empresa, entre o primeiro e o
segundo vazamento (em 72 horas).
 Atualizar do cronograma de inspeção de integridade do mineroduto (em 72
horas).
 Fazer um monitoramento de águas e sedimentos
 Elaborar um relatório contendo os dados técnicos e a memória de cálculo do
quantitativo de polpa de minério vazado (em 5 dias úteis).
 Rever o programa de gerenciamento de riscos (em até 120 dias).
 Em relação às medidas, a assessoria da Anglo American disse que foi notificada.
Informou ainda que algumas ações estão sendo providenciadas e que outras já
estão em curso.

Produção parada
Logo após o vazamento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) suspendeu a licença ambiental do mineroduto,
impedindo temporariamente o transporte do minério.
Nesta sexta-feira (31), a empresa anunciou que dará férias coletivas a
funcionários da mina e da planta de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro, na
Região Central de Minas. Durante uma entrevista coletiva, o presidente da Anglo
American, Ruben Fernandes, garantiu que as atividades serão retomadas somente após
os 529 quilômetros do mineroduto serem inspecionados, o que, segundo ele, deve levar
aproximadamente 30 dias.
Fernandes disse ainda que empresa terá que reprogramar as entregas, pois
não há mais estoque de minério no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Ele afirmou
ainda que a previsão para produção neste ano era de 13 milhões de toneladas, mas
agora este número será revisto.
“Nós tínhamos estoque no porto quando do primeiro incidente, cerca de 15
dias ou um pouco mais. Esse estoque foi consumido, ou seja, não tivemos nenhum
impacto em clientes até agora. Com essa parada maior, com certeza, a gente vai ter um
impacto nos próximos embarques. A gente já começou a comunicação com os clientes
para reprogramar esses embarques. Assim que nós tivermos retomado a capacidade
produtiva, seja em 30 [dias] ou seja em um pouco mais, é possível a gente reprogramar
os embarques com os clientes ao longo do ano”, disse.

Mineroduto
A Anglo American extrai minério de ferro em Conceição do Mato Dentro,
onde ele é misturado com água para produzir uma polpa. Esse material é bombeado
para o mineroduto, que passa em Santo Antônio do Grama.
A instalação de 529 quilômetros também passa pelo Rio de Janeiro. No Porto
do Açu, em São João da Barra (RJ), o minério de ferro é separado da água e embarcado
em navios para exportação. A água eliminada é tratada e jogada no mar.
Segundo a Anglo American, o mineroduto, inaugurado em 2014, é o maior
do mundo. A empresa diz que é um meio de transporte seguro, monitorado em todo o
trajeto. Diz ainda que tem um plano de emergência para o caso de vazamentos, que,
mesmo sendo raros, podem ocorrer, e, de acordo com a própria mineradora, causar
danos ao meio ambiente.
De acordo com a mineradora, o material que vazou é considerado resíduo
não perigoso.
Fonte: G1
Data: 31/03/2018

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