EXPLORAÇÃO, CHINA E CARROS ELÉTRICOS MOLDAM A PERSPECTIVA DO SETOR MINERAL

A atividade de exploração mineral sofre com falta de interesse de grandes mineradoras e
investidores. Essa é uma das conclusões do evento “Global Mining Outlook: What Are the Expectations”
realizado em terça-feira (2), em Londres, pela S&P Global
Os outros tópicos de interesse foram o fim do ciclo de crescimento da indústria mineral, o impacto
da indústria de veículos elétricos que aumenta a demanda por novos minerais, a imprevisibilidade do ouro e a
possibilidade de a China ampliar o domínio sobre a atividade de exploração mineral.

Exploração

O presidente do conselho da Altus Strategies, David Netherway, disse que a crescente demanda
por metais preciosos, especialmente na China, levou grandes mineradoras a tomar decisões que poderiam
prejudicar as mineradoras juniores, definidas como aquelas com uma capitalização de mercado entre US$ 30
milhões e US$ 40 milhões.
Apesar de a Barrick e a Randgold terem concordado com uma fusão de US$ 18,3 bilhões,
Netherway descreveu a exploração, que é a marca das mineradoras juniores, como a “saída para as juniores
agora”.
“[A demanda] da China é enorme, certamente em metais básico e de grande volume [como ferro],
isso é um mercado enorme”, disse ele. “Do lado dos metais preciosos, os preços do ouro caíram, os preços das
ações caíram, não há dinheiro para as juniores, há uma completa falta de exploração.”

Colin Hamilton, diretor-gerente de pesquisa de commodities da BMO, concordou, dizendo que “as
pessoas não querem se comprometer com novos projetos”, enfatizando a incerteza e a imprevisibilidade do
setor.
“Claro, não cresceu nos 20 anos antes do boom da China. Então, qual é o nível certo? Bem,
estamos apoiando uma base de ativos que agora é o dobro do que era em 2000 para muitas dessas
commodities, portanto, é necessário manter o capital em ação”, diz Hamilton.

Ciclo de crescimento

O painel falou sobre as dificuldades de estabelecer exatamente onde a indústria de mineração
poderia ser colocada no ciclo de crescimento positivo e negativo, com Hamilton apontando para uma falta de
oferta como evidência de que a indústria já superou o pico de crescimento.
“Estamos provavelmente além do pico do ciclo agora. E ainda assim não vimos o pico [de
investimento em novos projetos]. Isso, claro, significa que temos uma falta de oferta no pipeline [de projetos],
e não há nada que possa ser feito sobre isso agora, nos próximos dois ou três anos”, afirmou Hamilton,
Por outro lado, o gerente de carteira do JP Morgan, Neil Gregson, que por meses descreveu a
indústria como “meio ciclo”, mas não comentou se o pico ainda havia sido alcançado, foi mais otimista. “Eu
vejo isso como um bom sinal, não estamos no pico do ciclo e acho que o interesse retornará”, disse ele.
“Se pensarmos no final de 2010, o ciclo estava a todo vapor e, certamente, no final do ano, nas
últimas semanas de dezembro, recebíamos telefonemas todos os dias de aumento de capital de pequena
capitalização”

Veículos elétricos

O aumento na produção de veículos elétricos (VE) pode levar a mudanças significativas na
indústria mineral, conforme aumenta a demanda por minerais como lítio, cobalto e níquel usados na
produção de veículos elétricos.
Segundo a Statista, a demanda global por lítio é de 252.653 toneladas de carbonato de lítio
equivalente em 2018, mas isso aumentará para 422.614 toneladas até 2025, já que o metal é um componente
chave nas baterias que alimentam os veículos elétricos.
No entanto, Hamilton declarou que não haverá uma mudança dramática de curto prazo no
mercado desses metais, acrescentando que o níquel teria que chegar a US$ 20 mil por tonelada, bem acima
do preço atual da London Metal Exchange (LME) que é de US$ 12.760 por tonelada, para que as empresas
voltassem a investir significativamente no metal.
Isso foi endossado pelo diretor de ratings corporativos da S&P, Simon Redmond. “No curto prazo,
é o investimento de capital que está em risco, as empresas saem e investem pegam uma quantia de capital
que ainda não é necessária nos próximos dez anos. Daqui a cinco anos, 25 anos, talvez a história seja
diferente, talvez”, afirmou.

Imprevisibilidade do ouro

“Não obedece a nenhuma regra hoje em dia”, disse Netherway sobre o futuro do metal precioso.
O ouro teve um período de relativa estabilidade entre 2013 e 2018, consistentemente valorizado entre US$
33.957 e US$ 44.577 por quilo. Apesar de uma queda para US$ 42.464 em abril de 2018 retornou ao preço
atual de US$ 38.627, o preço permanece próximo da mediana dos dois extremos registrados nos últimos cinco
anos.

Isto apesar do fato de que o primeiro trimestre de 2018 viu a demanda por ouro cair 7% em
relação ao último trimestre de 2017, a menor demanda do primeiro trimestre pelo metal desde 2008.
O tom da discussão na S&P foi de otimismo cauteloso. Com animadores, embora não muito
convincentes, desempenhos de muitos minerais no último ano, o ouro continua sendo uma anomalia devido à
sua consistência e ligeira tendência negativa, em comparação com uma indústria imprevisível e levemente
otimista.
“Obviamente, não está acompanhando os preços do petróleo no momento”, disse Netherway. “Eu
acho que é cíclico; vai voltar, mas quando? Quem sabe?”

Domínio chinês

Netherway também falou sobre a influência chinesa nas operações de mineradoras juniores,
dizendo. “A China está se envolvendo no setor em grande escala, especialmente na África, onde está
comprando muitas empresas, muitos metais e se envolvendo nos países, tanto politicamente quanto em
termos de infraestrutura”, disse ele.
As majors agora são responsáveis por 50% da exploração no mundo, e o nível de exploração das
juniores é o menor em 16 anos, números que levaram a uma discussão sobre a possibilidade de domínio
chinês sobre as principais e pequenas operações de mineração. “Está acontecendo e quanto mais as empresas
de mineração do mundo ocidental ficam à margem, eu não vejo essa tendência mudando, particularmente na
África”, disse Gregson.
Enquanto Gregson não acredita que a inação das empresas ocidentais terá consequências
negativas para eles no momento. Mas, no futuro, grandes mineradoras podem perder lucros associados a
projetos de exploração. Com as majors tradicionalmente não realizando trabalhos de exploração, os acionistas
ocidentais poderiam perder lucros potenciais da exploração se as mineradoras que realizam pesquisa e
exploração já forem de propriedade de grupos chineses.
Fonte: Notícias de Mineração
Data: 05/10/2018

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