CSN ESPERA ANO DE VIRADA NA DEMANDA DO MERCADO INTERNO

Com a indústria de transformação mostrando firmes sinais de recuperação
no ano, puxada pelo setor automotivo, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma
das maiores produtoras de aço plano do país, vislumbra aumento consistente nas
vendas ao mercado brasileiro em 2018. E espera também bom desempenho nas
operações de EUA e da Europa.
A empresa não considera crescer menos de 9% neste ano “Esse é o ano da
virada na siderurgia no país e a CSN quer tirar proveito disso”, afirmou Luís Fernando
Martinez, diretor-executivo comercial e de logística, em entrevista ao Valor.
O otimismo se baseia numa previsão de crescimento de 3,5% a 3,6% da
indústria de transformação em 2018 e 2019. Tomando por base um índice de
elasticidade de 2,7 a 3,8 vezes no consumo de aço, a projeção é de aumento de 9% a
13% para a siderurgia de aços planos. “Pouco risco de isso não acontecer se forem
mantidos os fundamentos atuais”, afirma o executivo, observando que é necessário
haver expansão sustentada da economia brasileira.
Para a CSN, a melhoria do mercado no país, aliada aos reajustes de preços
obtidos no ano e o patamar de US$ 75 a tonelada do minério de ferro é importante. Vai
contribuir no seu plano de reequilíbrio financeiro. No momento, a empresa negocia
rolagem de dívida com a Caixa Econômica Federal – já fez com Banco do Brasil. Além
disso, quer recomprar bônus de dívida no exterior, fechar amanhã emissão de US$ 1
bilhão. E a venda de um ou mais ativos de valor relevante.
Somado tudo isso, a empresa ganha conforto para sua dívida líquida da
ordem de R$ 24 bilhões.
No país, a CSN é produtora de laminados planos e de aço longo, mas este
último com pequena participação no todo. No exterior, tem uma laminadora em
Indiana, EUA, e outra em Portugal, e na Alemanha uma siderúrgica de perfis. De janeiro
a setembro, a empresa vendeu nos quatro mercados 3,7 milhões de toneladas – 56% no
país.
No terceiro trimestre, o percentual do mercado interno subiu dez pontos
percentuais, para 62%, em relação ao primeiro. A meta da empresa é elevar a fatia para
85% do total. No Brasil, as margens de ganho são maiores que as de exportação e dos
mercados americano e europeu.
Segundo Martinez, a reação da demanda no país não se limita ao setor
automotivo, que tem previsão de produzir em torno de 15% a mais sobre 2017. Ele
aponta a indústria de linha branca, a de máquinas e equipamentos e a de embalagens
em aço. Construção civil, grande demandante de aço, retomou os lançamentos de
imóveis residenciais, comerciais e industriais. Mas o segmento de infraestrutura ainda
anda devagar. E, no mesmo compasso, o de óleo e gás.
O executivo diz que a CSN destina, direta e indiretamente, 30% de suas
vendas ao setor automotivo. Para construção civil, em torno de 25% e para linha branca,
15%. Por meio da rede de distribuição, atende osfabricantes de máquinas. A siderúrgica,
que tem usina em Volta Redonda (RJ), é a única empresa que faz aço para embalagens
industriais (latas).
Ele garante que a empresa está preparada operacionalmente e tem
capacidade em seus laminadores para atender o aumento de pedidos de seus clientes.
Em aço longo, a perspectiva é vender cerca de 275 mil toneladas neste ano, alta de 19%
ante 230 mil toneladas de 2017. É o maior volume desde o início de operação, em 2013.
A estratégia da empresa é trabalhar lotada no mercado doméstico, focando
em produtos de alto valor agregado (mais de 50% do seu mix), obter o máximo das
subsidiárias no exterior, consolidar os aumentos de preços e tirar vantagens da
recuperação dos grandes mercados consumidores de aço.
Em janeiro, a CSN anunciou reajuste de 22% a 25% para o setor
automotivo,12% para outros setores industriais e percentual igual para distribuição.
Hoje, o prêmio em relação ao produto importado é de 4% a 10%. Novas altas, por ora,
não estão previstas.
As usinas são beneficiadas com o recuo das importações, pois podem ocupar
esse espaço. O consumo aparente de aço plano no Brasil ainda é baixo. Por isso,
depende de retomada industrial forte para voltar aos 15,8 milhões de toneladas
atingidas em 2010.
Fonte: Valor
Autor: Ivo Ribeiro
Data: 07/02/2018

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