CBPM: PROJETANDO O FUTURO

Ao completar 45 anos de existência, a Companhia Baiana de Pesquisa
Mineral (CBPM) continua pensando no futuro. Nesse sentido, verificando a carência de
pesquisas no Estado da Bahia no segmento de novos materiais, deu início, em 2017, ao
Projeto Minerais Portadores de Futuro, visando identificar os ambientes mais propícios
a conter os considerados minerais críticos e que terão uma grande demanda futura, pela
alta tecnologia que o mercado no mundo atual vem exigindo. O objetivo inicial do
projeto é o de identificar e selecionar aqueles ambientes considerados como possíveis
hospedeiros de mineralizações de Lítio, Terras Raras (ETRs), Cobalto, Tântalo, Tálio,
Nióbio, Potássio, Fosfato e Grafita para Grafeno. Trabalhos realizados pela CBPM, até o
momento, individualizaram diversos ambientes geológicos (metalotectos) no Estado da
Bahia, possíveis de conter mineralizações de alguns desses tipos de elementos químicos:
1 – Mineralizações de Lítio
No Brasil, o lítio se associa com pegmatitos, que normalmente contêm
lepidolita, petalita, ambligonita e espodumeno, com concentrações que podem chegar
até a 8% de Li2O, sendo que os maiores depósitos de lítio do mundo estão associados a
evaporitos (Salares de Atacama, no Chile, Uyuni, na Bolívia, e Del Hombre Muerto na
Argentina). No território baiano a grande probabilidade da presença desses minerais
está nas Bacias Carbonáticas Neoproterozoicas (Faixas Araçuaí e Sergipana; São
Francisco, Ituaçu, Utinga, Irecê, Campinas e do Rio Pardo – Serra do Paraiso) e nas Bacias
Sedimentares Mesozoicas (Recôncavo Baiano –Tucano e Camamu – Almada), entre
outros;
2 – Mineralizações de Terras Raras – ETRs
Os principais minérios relacionados às Terras Raras (ETRs), utilizados em
diversas aplicações tecnológicas, são a bastnasita, monazita, loparita, xenotímio, além
das argilas lateríticas. A seleção desses ambientes para desenvolver trabalhos futuros
de detalhe, no entanto, deverá ser bastante criteriosa, devido ao alto custo da pesquisa,
considerando que são cerca de 17 elementos químicos. Os principais ambientes
selecionados foram: Cordões Litorâneos e Recentes; Corpos de Conglomerados e de
Arenitos Conglomeráticos da Formação Tombador; Diamictitos da Formação
Bebedouro; Granulitos (Bloco Jequié, Complexo Santa Isabel, Domí-
nio Costeiro Atlântico, Domínio Salvador Esplanada, Orógeno Salvador
Itabuna e Orógeno Salvador Curaçá); Rochas Alcalinas do Sul da Bahia; Suíte Alcalina de
Campo Alegre de Lourdes; Complexo Carbonatítico de Angico dos Dias; Cinturão de
Granitoides (Alto K) de Jaguarari – Contendas Mirante e Granitoides (alto K) do Vale do
Paramirim;
3 – Mineralizações de Tálio.
O tálio ocorre principalmente com o manganês, sendo que sua primeira
descoberta na Bahia feita pela empresa Itaoeste, em associação com o manganês
supergênico do Grupo Urucuia, nas proximidades da cidade de Barreiras. O manganês
nodular, encontrado no leito dos oceanos recentes, também contém tálio, mas sua
extração não é economicamente viável. Os principais ambientes geológicos
selecionados pelo projeto, foram: Grupo Urucuia; Grupo Bambuí; Grupo Rio Preto;
Grupo Chapada Diamantina; Grupo Oliveira dos Brejinhos e Grupo Paraguaçu, entre
outros;
4 – Mineralizações de Tântalo/Nióbio
A tantalita é um mineral composto de nióbio e tântalo e é um minério
bastante valorizado e aplicado na indústria eletrônica, pois oferece resistência ao calor.
Além disso, ele é usado na indústria do vidro por aumentar o índice de refração, e no
aço cirúrgico, sendo não reativo nos tecidos corporais. O Brasil possui mais de 50% das
reservas desse mineral no mundo e as maiores delas encontram-se nos estados de
Roraima e Amapá. No estado da Bahia foram selecionados, principalmente, a Faixa
Araçuaí; Rochas Alcalinas do Sul da Bahia; Complexo Itapetinga; Complexo Lagoa do
Alegre e Complexo Carbonatítico Angico dos Dias;
5 – Mineralizações de Grafita
A grafita pode ser considerada atualmente a mais importante substância
mineral a ser pesquisada. Na Bahia, o projeto selecionou como prioritários a Faixa
Araçuaí (Complexo Jequitinhonha); o Grupo Bambuí; o Grupo Rio Preto; o Complexo
Itapetinga; o Greenstone Belt (Salitre e Itapicuru) e o Bloco Jequié (Granulitos). O
minério ocorre com maior intensidade na Faixa Araçuaí, no Complexo Jequitinhonha,
onde existem duas minas (uma no município de Pedra Azul e outra no Salto da Divisa,
ambas em Minas Gerais) e uma no município de Maiquinique, na Bahia. Nas duas
primeiras minas, a grafita é classificada como cristalino tipo flocos, com lamelas de
granulação média a grossa (grau metamórfico alto), enquanto na mina baiana os flocos
são de lamelas de granulação média a fina (grau metamórfico médio, fácies anfibolito).
Os produtos finais são direcionados para a indústria e em menor quantidade
para a agricultura. Contudo, o material mais nobre que se espera obter é o grafeno,
desenvolvido em laboratório, que foi descoberto em 2004, com várias utilizações e um
enorme potencial para novos usos em setores como: defesa, eletroeletrônicos,
semicondutores, plásticos ou látex, televisores e smartphones com displays flexíveis e
transparentes. A produção de grafeno, a partir da grafita natural, agrega enorme valor
e tecnologia a esse mineral. Segundo Heider (2017), as previsões para o mercado
mundial indicam uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CARG) de 44% até 2020.
Ele mostra que, enquanto uma tonelada métrica da grafita é hoje comercializada por
aproximadamente US$ 1.000 no mercado internacional, uma tonelada métrica de
grafeno é comercializada por cerca de 500 vezes esse valor, sendo que, dependendo da
aplicação, o preço pode chegar a US$ 100 por grama. De 1 kg de grafita pode-se extrair
150g de grafeno, avaliado em pelo menos US$ 15.000. Nos próximos 20 anos, veremos
o grafeno cada vez mais em diversas tecnologias no nosso dia a dia e em outras que
ainda nem imaginamos O Brasil e a Bahia tem grande potencial de elevar suas reservas
e descobrir novos depósitos, estimulados pela valorização futura da grafita e de novas
aplicações para o grafeno, mas terá que avançar muito na cadeia produtiva e realizar
investimento expressivo em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – PD&I
Fonte: Revista In The Mine
Autores: Rafael Avena Neto e Samuel Leal de Souza

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