CARROS ELÉTRICOS PODEM IMPULSIONAR BOOM NO MERCADO DE NÍQUEL

A Glencore e a Trafigura Group quase nunca têm a mesma opinião, mas há
uma coisa em que estão de acordo: o mercado do níquel mudará com o boom dos carros
elétricos.
O sulfato de níquel, um ingrediente fundamental das baterias de íon-lítio,
verá sua demanda crescer em 50 por cento, para 3 milhões de toneladas até 2030, disse
Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura, em entrevista. Outros metais usados em
baterias, como o cobalto e o lítio, mais do que dobraram desde o começo do ano
passado, mas os preços do níquel foram moderados devido aos grandes estoques.
“Do ponto de vista estrutural, deveríamos começar a ficar otimistas agora”,
disse Rahim. “Será possível satisfazer a demanda quando o momento chegar,
considerando a insuficiência de investimento na oferta?”
Sua visão coincide com a perspectiva da Glencore, que recentemente disse
aos analistas que a produção de níquel teria que aumentar 1,2 milhão de toneladas até
2030, mais da metade da produção global atual, para acompanhar a demanda do setor
de baterias. Atualmente, os preços mais do que dobram o custo de extração do metal
para a Glencore.
É uma mudança de ânimo surpreendente para um mercado com uma
reputação desastrosa. O níquel foi durante anos um empecilho para a Glencore, que
arcou com operações deficitárias após adquirir a Xstrata. Em 2015, ela vendeu uma mina
de níquel na Austrália, comprada pela Xstrata por US$ 2,4 bilhões em 2007, por apenas
US$ 19 milhões.
“O setor de níquel tem sido uma espécie de fracasso desde mais ou menos
2007”, disse Oliver Ramsbottom, sócio da McKinsey & Co. em Tóquio, em entrevista por
telefone.
Queda
A indústria de baterias poderia reviver a prosperidade das mineradoras mais
de uma década após o colapso do níquel, que caiu de um pico de US$ 51.600 por
tonelada em 2007, quando a Indonésia e as Filipinas começaram a inundar o mercado
de oferta de baixa qualidade. O níquel atualmente é cotado a US$ 11.870, uma alta de
18 por cento no ano.
As baterias futuras provavelmente usarão mais níquel e menos cobalto,
disse Rahim. Os preços do cobalto dispararam e a maior fonte de oferta é a República
Democrática do Congo.
Contudo, alguns analistas se mostram céticos quanto à realização dos
cenários otimistas. Os veículos elétricos ainda são um setor de nicho e o excesso de
níquel continua sendo uma ameaça, com os estoqueis atuais quatro vezes maiores do
que desde o começo de 2012.
A Indonésia autorizou sua maior produtora a exportar mais minério de
níquel. As Filipinas também falaram em suspender uma proibição de mineração a céu
aberto, gerando preocupação com um aumento da oferta.
“Durante anos o mercado descartou completamente a ideia de que algo
positivo poderia acontecer com o níquel”, disse Ingrid Sternby, analista de pesquisa da
Blenheim Capital Management LLP, em uma entrevista em Londres. “Com os recentes
anúncios sobre a Indonésia e as Filipinas, é fácil ver por que o mercado ainda é
assustador e por que as pessoas não querem se envolver”.
Fonte: Bloomberg
Autores: Mark Burton e Jack Farchay
Data: 31/10/2017

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