BRASIL TEM 204 BARRAGENS DE REJEITOS DE MINÉRIO COM ALTO POTENCIAL DE DANOS

O Brasil é um país com 24 mil barragens registradas, que servem a diferentes propósitos. Desse total,
790 aparatos são de contenção de rejeitos de mineração, assim como a da mineradora Vale que rompeu em
Brumadinho (MG) na última sexta-feira (25), deixando um rastro de destruição e mortes na cidade.
Analisando as barragens da mineração mais de perto, é possível dizer que 204 têm potencialidade de
dano alto, seja ao meio ambiente ou para pessoas, caso haja algum acidente. Veja aqui a relação das 790
barragens de mineração registradas no país.
Os números, de 2017, estão no relatório de segurança de barragens, desenvolvido pela ANA (Agência
Nacional de Águas) e divulgado no ano passado. De acordo com a ANA, o relatório é um compilado anual de
informações recebidas dos órgãos fiscalizadores de cada tipo de barragem. Quem fiscaliza as de rejeitos de
minérios, por exemplo, é a ANM (Agência Nacional de Mineração).
O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, afirmou, na tarde desta terça-feira (29),
que seria intensificada a fiscalização em 3.386 barragens no país que estão classificadas com dano potencial
alto ou com risco alto, mas não estabeleceu prazos. “É um trabalho que precisa ser feito com muita cautela”,
afirmou.
Além do potencial dano ao meio ambiente e à população, o relatório da ANA também categorizou
barragens de rejeitos de minério de acordo com o nível de risco na manutenção. De acordo com as
classificações, uma barragem pode oferecer potencial alto de dano por estar em meio à natureza, por
exemplo, porém ser de baixo risco de operação, devido à segurança na utilização dos equipamentos.
O Brasil tem, segundo a ANA, sete barragens consideradas de alto risco: quatro em Minas Gerais
(todas com dano potencial também alto). Outras duas, de Santa Catarina e do Mato Grosso, também têm
dano potencial alto. No Amapá há registro de uma barragem com alto risco, porém dano potencial
considerado médio.
A mineração e o risco nos estados
Das 204 barragens de contenção de rejeitos de minério do país, 134 (65%) estão em Minas Gerais, o
estado que mais tem barragens de todos os tipos do país. As sete de Brumadinho, onde ocorreu a tragédia
maisrecente, tinham risco considerado baixo no relatório da ANA analisado pela reportagem, mas com dano
potencial alto. Brumadinho é o quarto município mineiro com mais barragens do tipo. Nova Lima, com 18,
Ouro Preto, com 14, e Itabira, com 8, são as cidades mineiras com mais barragens de minério.
O Pará é o segundo estado do país com maior número de barragens de minério com alto dano
potencial. São, ao todo, 20 (9,8%). A maior parte (oito) está no município de Barcarena, onde houve
instalação de CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito) no ano passado que apontou riscos para a saúde de pessoas de
comunidades ribeirinhas. As cidades de Parauapebas e de Paragominas têm quatro barragens cada uma.
Bahia, Goiás e Santa Catarina estão na sequência dos estados com mais barragens do tipo. Em cada
um deles, há sete contenções de rejeitos de mineração com dano potencial classificado como alto. Os
municípios de Barrocas (BA), Ouvidor (GO), Lauro Muller e Treviso (SC) são os que mais têm barragens do
tipo, com três em cada uma dessas cidades.
Vale tem 50 barragens com potencial alto de dano
A empresa Vale, administradora da barragem de Brumadinho, tem 50 locais de contenção de rejeitos
de minério com dano potencial classificado pela ANM como alto. Destes, 45 estão em Minas Gerais. Outros
cinco, no Pará. Apesar do dano potencial alto, o risco entre elas está entre baixo e médio.
Depois da Vale, a empresa com maior número de contenção de rejeitos com possível dano alto é a
Mosaic Fertilizantes, mas todas com risco considerado baixo. Dez delas estão em Minas Gerais, quatro em
Cajati (SP) e uma em Catalão (GO). Com oito barragens em Barcarena (PA), a Imerys é a terceira empresa
com mais barragens com essas características.
A empresa Carbonífera, com sete barragens do tipo em Santa Catarina, e a Anglogold, com seis em
Minas Gerais, vêm na sequência.
Fonte: Uol
Autor: Luís Adorno
Data: 30/01/2018

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