BATERIA PARA VEÍCULO ELÉTRICO PUXA PREÇOS DO COBALTO

Em um encontro de mineradores, em Londres, no ano passado, executivos
de grandes companhias do setor foram reunidos para o registro fotográfico do evento.
Para conseguir uma melhor imagem do grupo, o fotógrafo, antes do clique, falou em
alto e bom som, para que todos ouvissem: “Cobalto”. De forma instantânea, os sorrisos
apareceram nos rostos dos executivos para compor a foto.
A anedota, relatada por um dos participantes do encontro, é um exemplo de
como o cobalto – metal que se tornou ingrediente-chave na produção de baterias de lítio
usadas em carros elétricos – fez a alegria dos mineradores em 2017.
O cobalto refinado terminou o ano no maior nível de preços desde 2009,
cotado a US$ 81,5 mil por tonelada. Essa cotação se refere ao produto com 99,8% de
teor de cobalto, tendo como referência o mercado dos Estados Unidos. Na média de
2016, o preço médio do produto foi de US$ 26,6 mil por tonelada, de acordo com
números da consultoria britânica CRU.
O cobalto faz parte de um grupo de metais, também integrado pelo níquel e
pelo lítio, cujo uso é considerado promissor pela indústria automotiva de carros
elétricos.
A Glencore é a maior mineradora de cobalto do mundo, seguida de ERG,
Nornickel e China Molybdenum, além da brasileira Vale. A Vale produz cobalto como
subproduto do níquel e sua produção, de cerca de 6 mil toneladas por ano, corresponde
a 6% da oferta global, de quase 100 mi. A empresa vê o uso do níquel e cobalto em
baterias como uma oportunidade, mas reconhece que o sucesso do negócio dependerá
do desenvolvimento tecnológico no setor.
O aumento nos preços vem estimulando investimentos na mineração do
metal por “juniors”, de médio porte, que podem contribuir para a oferta do produto a
partir de 2021. Mas as “juniors” vão responder por fatia pequena da produção global
comparado com os projetos instalados, diz a CRU.
Apesar do aumento nos preços no ano passado, a CRU não espera problemas
de suprimento do produto no mercado a médio prazo. Uma das razões que sustentam
a previsão é a entrada de novos projetos de produção de cobalto nos próximos anos.
Além disso, na visão da CRU, aumentos adicionais nos preços poderiam estimular a
substituição do metal por outros produtos nas tecnologias empregadas na produção de
baterias.
Esse cenário faz com que a consultoria não espere que o aumento nos
preços visto em 18 meses se mantenha a médio prazo, disse George Heppel, analista de
mercado de cobalto do CRU Group, em Londres. Ele disse que os estoques globais do
metal continuam elevados, e que existe “substancial” oferta nova de cobalto entrando
no mercado a partir de 2019. Embora ainda seja possível ver alguma alta de preços em
2018, esse movimento não deverá ser significativo ante 2017.
Dados da CRU indicam que, desde 2015, a demanda vem crescendo a taxas
de 6% ao ano, desempenho guiado pela maior procura da indústria de baterias pelo
produto. A oferta do produto tem se mantido estável ao longo do período.
As estimativas da CRU indicam que a oferta global de cobalto foi de 97,8 mil
toneladas em 2017. Desse total, 90% do cobalto foi extraído como subproduto do níquel
e do cobre. Nos anos recentes, a produção de níquel e cobre foi reduzida, como
resultado da queda nos preços, o que, indiretamente, contribuiu para a oferta do
cobalto se manter estável.
De acordo com a CRU, existem preocupações no mercado sobre eventuais
problemas de oferta de cobalto no futuro. Esse receio se relaciona com a expectativas
de que o crescimento na indústria de baterias continue a acelerar, sobretudo em função
da demanda do segmento de carros elétricos. Essa expectativa foi decisiva para o
aumento recente nos preços.
Tradicionalmente, o cobalto é utilizado em aplicações metálicas como ligas
aeroespaciais e na produção de aço. Mas se tornou também ingrediente fundamental
nas baterias de “íon de lítio”, que duram mais do que as tradicionais.
A CRU estima que a demanda por cobalto no setor de baterias cresça 15,7%
ao ano até 2026, movimento conduzido sobretudo pelo segmento de veículos elétricos.
Atualmente, a demanda para baterias representa cerca de 15% do total pelo metal. Mas
a consultoria britânica estima que esse percentual poderá chegar a um terço da
demanda total também em 2026.
O maior produtor de cobalto é a República Democrática do Congo, com 60%
do volume extraído. Depois vêm a Rússia, com 5,4%), seguida pela Austrália, Cuba,
Filipinas, Madagascar e Canadá.
Fonte: Valor
Autor: Francisco Góes
Data: 05/01/2018

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