ARCELORMITTAL ESTÁ OTIMISTA COM MERCADO BRASILEIRO

Após um 2017 positivo, a siderúrgica europeia ArcelorMittal está otimista
com o desempenho das operações brasileiras neste ano, apostando que a recuperação
da economia, principalmente do setor automotivo e de construção, impulsionará o
consumo de aço.
Na apresentação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2017, a
ArcelorMittal projetou que o consumo aparente de produtos siderúrgico deve subir de
6,5% a 7,5% no Brasil neste ano, o crescimento mais rápido de todas as regiões em que
atua. “Os prospectos para 2018 no Brasil são bastante encorajadores”, afirmou o
diretor-financeiro da companhia, Aditya Mittal, em teleconferência com analistas
realizada ontem.
A estimativa de consumo aparente está sustentada, diz o grupo, na
recuperação da economia e da confiança do consumidor, com a demanda por aços
longos também melhorando em meio à retomada da construção. No ano passado, o
avanço foi de 4,6%.
Na China, que em 2017 bateu o recorde de produção de aço, o cenário é
bem diferente: o gigante asiático tem as piores previsões. O consumo por lá
provavelmente ficará próximo à estabilidade, com perspectiva que vai de queda de 0,5%
a alta de 0,5%. No resto do mundo, excluindo China, a companhia espera alta de 1,5% a
2,5%.
A siderúrgica obteve no quarto trimestre de 2017 lucro líquido de US$ 1,039
bilhão, aumento de 2,6 vezes em relação aos US$ 403 milhões registrados no mesmo
período de 2016. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda,
na sigla em inglês) subiu 29%, para US$ 2,141 bilhões.
A receita com vendas nos últimos três meses do ano passado cresceu 25%
na comparação anual, de US$ 14,126 bilhões para US$ 17,710 bilhões.
O lucro da companhia veio acima do esperado pelo mercado. Segundo
levantamento feito com analistas pela consultoria FactSet, a expectativa era de lucro
líquido de US$ 715 milhões. Já a receita ficou um pouco abaixo do esperado, uma vez
que a expectativa era de US$ 17,94 bilhões. Para o Ebitda, a estimativa era de US$ 2,08
bilhões.
A receita foi beneficiada pelo crescimento de 4% na produção de aço, para
22,7 milhões de toneladas, e pelos embarques, que avançaram 5%, para 21 milhões de
toneladas. Também ajudaram o crescimento no preço médio de venda de aço (20,4%) e
o preço de mercado do embarque de minério de ferro (3,8%).
No Brasil, a receita cresceu 29%, para US$ 2,52 bilhões, com o lucro
operacional totalizando US$ 266 milhões, alta de 86%. A produção de aço cresceu 7%,
para 2,989 milhões de toneladas, com os embarques avançando 7,4%, a 3,052 milhões
de toneladas.
No acumulado de 2017, a ArcelorMittal obteve um lucro líquido de US$
4,568 bilhões, alta de 2,5 vezes, e uma receita de US$ 68,679 bilhões, avanço de 21%. O
Ebitda cresceu 34,4%, para US$ 8,408 bilhões.
“A combinação da melhora dos fundamentos do mercado e a entrega de
nossos objetivos estratégicos contribuíram para que a empresa tivesse um ano bemsucedido”,
afirmou, em nota, o diretor-presidente da companhia, Lakshmi Mittal.
Segundo o presidente, a empresa continuará com o seu processo de redução
da alavancagem neste ano, mas “investirá de forma seletiva em oportunidades que
fortalecerão as fundações para a criação sustentável de valor”. No ano passado, a dívida
líquida recuou 9%, para US$ 10,1 bilhões, levando a relação com o Ebitda a 1,2 vezes,
enquanto em 2016 esteve em 1,6 vezes. Os analistas ouvidos pela FactSet aguardavam
que a dívida totalizasse US$ 9,9 bilhões.
Fonte: Valor
Autor: Ivan Ryngelblum e Renato Rostás
Data: 01/02/2018

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