A IMAGEM DA MINERAÇÃO

Parece não haver dúvidas de que a imagem da mineração no Brasil está em um dos seus piores
momentos. A sucessão de manifestações de vários segmentos da sociedade condenando a mineração,
acirrada com a tragédia de Brumadinho, culminou com um pronunciamento, em sua página na rede social,
do presidente da República em defesa do garimpo e criticando a atividade empresarial de mineração.
Mencionando o roubo de 720 quilos de ouro do aeroporto de Congonhas, que pertenciam, pelo menos em
parte, à mineradora Kinross, o presidente questionou sobre a origem daquele ouro e quanto havia sido
gerado de impostos, ele mesmo concluindo que seria de, no máximo, 10%. Ele também exibiu, em sua
crítica, fotos de uma empresa em Paracatu (a única mineradora de ouro em Paracatu atualmente é a
Kinross) criticando o enorme estrago ambiental (segundo suas palavras) que estava sendo causado. Com
base nisso, ele questionou: por que uma empresa pode produzir ouro dessa maneira e o “coitado” do
garimpeiro não? E aproveitou para colocar no bojo a defesa do direito dos povos indígenas de extrair as
riquezas das áreas em suas reservas. Em sua opinião, as riquezas nessas áreas devem ser extraídas. Mas
não deixou claro se a exploração dessas riquezas minerais deveria ser feita por garimpeiros ou por
empresas organizadas.
Citamos o exemplo para reforçar nossa afirmação de que a mineração está realmente com sua
imagem bastante arranhada. E por sua própria culpa. Durante muito tempo, uma parte expressiva do setor
manteve-se fechada para a sociedade, pouco ligando para o que as pessoas pensavam sobre a sua
atividade. Mesmo nos locais mais próximos de suas operações. Não poucas empresas preocupavam-se
muito mais em assegurar seus direitos minerários junto ao então DNPM do que dar explicações à
sociedade sobre o que faziam. Ou a exercer influência nos corredores dos órgãos governamentais
defendendo seus pleitos.
No Brasil, talvez contribua para isso o fato da imensa maioria das empresas de mineração ser de
capital fechado, tendo que prestar contas apenas aos seus controladores e aos órgãos de controle do
governo. Infelizmente, são poucas as empresas mineradoras no Brasil com ações na bolsa brasileira. Tanto
é que, das 100 Maiores do ranking Brasil Mineral, somente cinco empresas fazem parte do pregão da B3, a
bolsa paulista. Em contrapartida, quando se inclui as empresas que atuam em território brasileiro e têm
ações em bolsa nos outros países, o número de companhias abertas no ranking aumenta para 47, ou quase
a metade.
Pode parecer que não, mas há uma grande diferença na postura das companhias fechadas e as
abertas, sobretudo as que são listadas no exterior. Não apenas na comunicação com o mercado de
capitais, com seus acionistas, mas também com o restante da sociedade. Talvez por serem listadas em
países mais desenvolvidos, os códigos adotados por essas companhias são mais rígidos e contêm princípios
éticos mais em sintonia com o desenvolvimento sustentável (no sentido abrangente contemplado nos ODS
da ONU). Alguém pode argumentar que os acidentes recentes que mancharam a imagem do setor mineral
ocorreram em companhias abertas. Mas não estamos afirmando que estas companhias não cometem
erros. Apenas dizemos que elas prestam mais informações sobre o que estão fazendo, até por força de sua
condição no mercado.
E a disponibilização de informações, com a maior transparência possível, é um dos primeiros
passos para que a mineração seja vista pela sociedade como uma atividade econômica normal, que explora
as riquezas contidas no subsolo do País e gera produtos que são essenciais ao bem-estar de todos nós. E
que, para gerar esses produtos, são necessários muitos investimentos, muito engenho e muita tecnologia,
ao contrário do garimpo que foi defendido pelo presidente em seu post, onde milhares de “coitados” são
explorados por donos de barranco, comendo o pão que o diabo amassou. Deixando claro que garimpo não
é o mesmo que mineração em pequena escala, da qual existem alguns milhares de exemplos no País.
Fonte: Brasil Mineral
Autor: Francisco Alves
Data: Ano XXXVI – Julho de 2019

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